Manuela Ferreira Leite suspeita que o governo esteja a guardar os 533 milhões de euros da dotação provisional para pagar as indemnizações por despedimento dos funcionários públicos. Na semana passada, Ferreira Leite denunciou o caso. Esta noite na TVI24, a comentadora estranhou que a ministra das Finanças não tenha ainda explicado para que vai servir a dotação provisional.

Manuela Ferreira Leite começou por sublinhar que a ministra das Finanças «não negou» que tinha lá o dinheiro e lembrou que «um ministro não tem a autonomia nem a capacidade política para decidir sobre um número daquela natureza. A responsabilidade é da Assembleia», disse a ex-ministra, lembrando que «no tempo» do deputado Octávio Teixeira não seria possível não serem dadas explicações ao Parlamento sobre a quantia.

Sobre o destino dos milhões, a ex-líder do PSD admite que possa servir para «indemnizações para despedimentos de funcionários públicos. Pode ser uma coisa desse estilo», defende.

Manuela Ferreira Leite reconhece ainda que é positivo o défice de 2013 ficar abaixo do previsto. Mas na TVI24, a antiga ministra das Finanças diz que o governo não deve deitar tantos foguetes. Ferreira leite diz que as medidas tomadas para alcançar este valor foram excessivas e com custos sociais muito pesados.

«É com certeza um motivo de considerar que é uma boa notícia. Só um número é alguma coisa com que possamos fazer uma festa ou se ele implica coisas que possam não ser as mais aconselháveis? Não contesto o número. Contesto as medidas que foram tomadas para lá chegar. As medidas têm tido custos de natureza social extremamente pesados. Estivemos a tomar medidas excessivas relativamente ao que era necessário. Se estivesse na posição do Governo eu não deitaria tantos foguetes. Esta euforia só se pode justificar num clima de campanha».

Sobre a polémica com os cortes das bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, Manuela Ferreira Leite diz que são um exemplo de que o governo toma decisões com base apenas nos números. A comentadora teme que o novo modo de financiar a investigação esconda a intenção de utilizar os fundos estruturais para financiar as empresas.

«É mais um exemplo que aquilo que conta para tudo é os números», disse, admitindo: «Tenho muito receio que os fundos estruturais não venham a ser utilizados para financiar empresas».