Constança Cunha e Sá disse, esta quinta-feira, que não há maneira de o Governo de coligação PSD/CDS-PP se manter em funções, porque «não há remendo dentro da maioria que resolva» o problema. A comentadora afirmou, na TVI24, que o Governo «implodiu» e que as declarações do primeiro-ministro, depois das reuniões com Paulo Portas e após o encontro com Cavaco Silva em Belém, são «desconexas».

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá defendeu que a única conclusão que se pode retirar das declarações de Pedro Passos Coelho é que «não foi encontrada solução nenhuma» para ultrapassar a crise de Governo aberta pelas demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas.

«Neste momento não há condições para este Governo funcionar, seja de que maneira for (...). Este Governo sai completamente desacreditado destes episódios. A pouca credibilidade que tinha desapareceu. (...) Quando se chega a um ponto em que a estabilidade é garantida por uma instabilidade permanente, não faz sentido. (...) Que garantia é que estes dois líderes partidários podem oferecer neste momento de um Governo sólido e estável? Não podem. (...) Qualquer coerência neste Governo desapareceu», sublinhou.

Para Constança Cunha e Sá, convém perceber que a crise política não aconteceu porque a oposição não deixasse o Executivo fazer o seu papel ou por causa das manifestações dos sindicatos ou da greve dos professores: «Não foi por causa de nenhum desses fatores. Tudo isto aconteceu no interior do próprio Governo. Foi o próprio Governo que implodiu, não foram as oposições que provocaram».

A comentadora analisou ainda a atuação do Presidente da República, dizendo que Cavaco Silva se «colou excessivamente à maioria» e não conseguiu, por isso, fazer valer o seu poder. «Não conseguiu estabelecer pontes dentro do próprio Governo (...) ficou sem margem de manobra para moderar qualquer tipo de entendimento fora das margens da maioria. Temos neste momento um Presidente completamente bloqueado», constatou.