Constança Cunha e Sá afirma que, hoje, na sequência da declaração da véspera do Presidente da República, «a regra geral foi silêncio», porque «ninguém se quer comprometer».

«O presidente iniciou ontem uma crise política de facto e iniciou-a da pior maneira» considera a comentadora de política da TVI explicando que «o que o Presidente faz é ir por um terceiro caminho que não leva a lado nenhum: só pode levar a mais confusão». «Porque em vez de clarificar, Cavaco Silva confundiu», sintetiza.

Constança Cunha e Sá concede que Cavaco Silva descolou do governo, «mas da pior maneira», pois, «o que Cavaco Silva fez em primeiro lugar, que é o que lhe interessa, foi salvar a pele». «Agora vamos jogar ao jogo do empurra; que é tristíssimo e ao qual o Presidente da República se presta também», diz.

A comentadora da TVI refere que «a instituição da Presidência da República também está desacreditada» e que «Cavaco Silva não tem neste momento autoridade para vir dar ralhetes aos partidos». «Ele que se colou excessivamente a este Governo», acrescenta

«Temos um presidente que não pode ser desresponsabilizado da crise em que estamos porque ele participou nela», reforça Constança Cunha e Sá afirmando que «Cavaco enterrou o Governo porque disse que estava prazo até 2014».

«Cavaco Silva entalou os partidos e agora os partidos estão a entalá-lo a ele», aponta a comentadora pedindo «um mínimo de respeito, de clarificação» e frisando que «não é com jogos de sombras e de responsabilização que isto se resolve».

«A única coisa que o Presidente tinha a fazer era convocar eleições», considera a comentadora da TVI, pois, «se considerava que não havia condições para eleições mantinha o Governo». «Agora, não ter as duas coisas é que não faz sentido nenhum», conclui.

«O adiamento da 8ª avaliação é já uma primeira consequência. Quem é que vai apresentar a reforma do Estado?», pergunta Constança Cunha e Sá dizendo que «ficar sem Governo e sem eleições é que é uma coisa surrealista». «Baseado num hipotético acordo que ele quer entre três partidos. E qual é o acordo? Os partidos estão agora a devolver-lhe a bola», diz.