«Aqui há tempos um amigo meu dizia: "Eu acho que se não houvesse Estado isto dava um passo gigantesco"», recorda o professor catedrático do Instituto Superior Público, Luís Valadares Tavares, convidado do programa desta segunda-feira «Olhos nos Olhos», onde o peso do Estado foi um dos assuntos tratados.

Desde os anos 80, o Estado aumentou e o setor privado racionalizou os seus meios. «O que é que o Estado português fez? Irracionalizou a rede. Na generalidade dos casos, o setor privado concentrou muito as suas atividades em unidades mais complexas com pessoas mais competentes e usou meios de ligação e distribuição aos seus clientes muito eficientes. O nosso Estado, em vez disso, teve um pecado terrível, que é: sempre que uma entidade não está a funcionar bem, criou outra».

«O nosso Estado é fragmentado, é um Estado falido». Para Valadares Tavares, se uma empresa privada tivesse seguido esta estratégia teria falido. Mas o Estado não faliu «porque pedimos dinheiro emprestado e aumentámos os impostos».

A evolução do número de entidades no Estado começou a multiplicar-se a partir de 1991/1992, ainda no Governo de Cavaco Silva, nota o catedrático.

De acordo com dados apresentados no programa «Olhos nos Olhos», em 2013 temos o dobro das entidades que existiam nos anos 80. A que é que se deve este aumento das empresas públicas? «Em muitos casos às empresas públicas municipais», conclui Valadares Tavares.

«Porque é que isto é mau? Porque é caro (qualquer organização privada teria falido), mas também por outros motivos». Valadares Tavares dá o exemplo de uma licença, que é tão burocrática de se obter porque tem de passar por diversas entidades. «Acredito piamente que os nossos governantes estejam há décadas interessados em simplificar o processo de licenciamento, mas a verdade é que não conseguem. Um assunto passa por 10, 20 e há casos por 40 entidades».

Para Valadares Tavares o programa «Simplex» criado pelo executivo socialista de José Sócrates trouxe melhorias na relação entre o Estado e o cidadão, mas isso não chegou.

Outro dos temas ligados a este «Estado pesado» tem que ver com o custo que a este está associado. Valadares Tavares sugere concursos para todas as despesas do Estado e garante que podia-se poupar mais de 15% nas despesas de baixo custo.