Constança Cunha e Sá lançou, esta quarta-feira, farpas à conduta do primeiro-ministro, nomeadamente no que diz respeito à comunicação «enviesada» que Pedro Passos Coelho faz das medidas do Governo. No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», a comentadora da TVI24 acusou o chefe do Governo de criar um clima de incerteza que tem consequências gravosas no consumo e de negar que a verdadeira estratégia do Executivo para o país é a do empobrecimento.

«Nós sabemos que há mais medidas de austeridade que têm que ser postas em prática e o próprio Governo não esconde», começou por afirmar Constança Cunha e Sá, a propósito do aviso lançado por António José Seguro de que o Governo prepara novos cortes para depois das eleições autárquicas.

Lembrando o desmentido às afirmações do secretário-geral do PS, entretanto feito pelo primeiro-ministro, a comentadora defendeu que «o problema mais grave é que o Governo, em relação aos cortes, tem tido uma comunicação propositadamente enviesada, para que ninguém perceba muito bem o que é que vai acontecer e o que é que será o dia amanhã». Constança Cunha e Sá deu como exemplo, o caso da mobilidade na Função Pública, em que «num primeiro momento não havia subsídio de desemprego, e depois havia subsídio de desemprego».

Para Constança Cunha e Sá, a estratégia de comunicação do Governo resume-se desta forma: «Vão-se lançando más notícias, para que depois o resultado final apareça como um reforço ótimo do Governo». O problema, avisa a comentadora, é que «isto tem o condão de criar uma incerteza tal nos portugueses, que isso depois tem consequências no consumo e tem consequências, portanto, na economia».

«Eu ontem [terça-feira] ouvi Pedro Passos Coelho a dizer que ninguém quer empobrecer o país por gosto, nem as autarquias, nem o Governo. Mas foi o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, que veio dizer, sim senhor, que havia que empobrecer o país, que a estratégia era de empobrecimento. Ele disse-o e adotou-o como política», defendeu.

Aliás, no entender de Constança Cunha e Sá, «é nesse sentido que se percebe perfeitamente quando ele [Passos Coelho] diz que o país vive acima das suas possibilidades». «Ora, se o primeiro-ministro diz que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, o que é que se conclui daqui? Que têm de viver dentro das suas possibilidades, ou seja, têm que empobrecer. (...) O empobrecimento faz parte, e fez parte durante estes dois anos, da estratégia e da política do Governo», observou. «Eu não acredito que o PSD considere que da 8ª e da 9ª avaliações não vem mais austeridade, com certeza que vem», concluiu.