Constança Cunha e Sá diz não compreender a decisão da agência de rating «Moody's» em aumentar o nível da dívida portuguesa, que desde sexta-feira está a um passo de sair do nível «lixo», quando a dívida nacional continua a piorar e se está a «tornar insustentável».

«Não deixa de ser absolutamente extraordinário que com uma dívida pública a atingir os 133% e quando se percebe que cada vez mais é insustentável pagar isto nos termos em que o Tratado Orçamental o impõe, que venha a Moody¿s subir o rating da dívida portuguesa. Há aqui alguma coisa muito estranha», afirmou Cunha e Sá.

A comentadora da TVI24 justifica o seu ceticismo com a fraca influência do Governo em manter as taxas de juro baixas, papel que atribui essencialmente ao Banco Central Europeu.

Cunha e Sá vai mais longe e afirma que, apesar de o Governo querer culpar o Tribunal Constitucional pelas subidas dos juros, a realidade é que só existiram duas situações que tiveram de facto influência nos mercados, e nenhuma esteve ligada ao TC.

«Que as taxas de juro mais baixas se devem essencialmente ao BCE e não propriamente ao papel do Governo português, isso é óbvio. O Tribunal Constitucional foi sempre acusado de ter efeitos nas taxas de juro, nunca teve, só houve dois episódios que tiveram, a «demissão» de Paulo Portas e Vítor Gaspar e, agora, a queda do Grupo Espírito Santo, disse Cunha e Sá.