Constança Cunha e Sá defendeu, esta sexta-feira, que é importante rever a permanência de Portugal na Zona Euro. Em declarações na TVI24, a comentadora considerou «fatal para o país» que os credores europeus rejeitem suavizar a meta do défice português para 2014.

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá salientou que a Europa que se uniu após a II Guerra Mundial deu lugar a uma cisão entre a Europa do Norte e a Europa do Sul: duas Europas com interesses contraditórios e não coincidentes.

«É de ver e de pensar, depois disto que se está a passar, se Portugal tem ou não condições para continuar no Euro», afirmou Constança Cunha e Sá.

Salientando que já há muito tempo que a discussão tem sido lançada em Portugal, com alguns defensores em relação à saída e com alertas muito graves para o que aconteceria no país se Portugal abandonasse o Euro, a comentadora referiu que «a verdade é que não se vê fim à vista neste caminho».

«De facto, nós não somos capazes de aguentar o euro e o euro, como diz Antony Beevor, é um desastre institucional, nomeadamente para os países do Sul que não têm capacidade para ter uma moeda tão forte como é o euro. Se calhar não deviam ter entrado (...)», observou.

Na certeza de que a receita que o Governo e a Europa aplicaram está errada, Constança Cunha e Sá defendeu que a questão do défice a 4% ou 4,5% em 2014, em certa medida, «é quase uma discussão fútil, porque é evidente que nós não vamos ter um défice de 4%». Na opinião da comentadora, o que Portugal vai ter com toda a certeza «é uma 8ª e 9ª avaliação duríssima, como já se percebeu pelas declarações do Eurogrupo».

«Acho fatal para o país que os nossos credores não aceitem a flexibilização do défice para 2014 porque acho que isso vai ter consequências desastrosas, nomeadamente no défice. Porque isto, não nos cansamos de o dizer, é uma pescadinha de rabo na boca: a austeridade leva a recessão, a recessão leva a prestações sociais, as prestações sociais levam a mais despesa e portanto a mais défice. Portanto, isto não tem volta a dar», explicou.

«E enquanto a Europa não perceber que isto assim não vai lá de maneira nenhuma, corremos o risco de haver uma implosão na Zona Euro, e corremos o risco de Portugal não se aguentar na Zona Euro», rematou.