Marcelo Rebelo de Sousa considera um «disparate e uma «tontearia» o facto de Mário Soares propor a demissão do Governo e do Presidente da República em simultâneo.

«Aquilo que Mário Soares propôs ao país é um disparate», disse. «A Constituição não permite a eleição simultânea do Presidente e da Assembleia da República. Se Mário Soares soubesse a Constituição sabia que há o artigo 128», explicou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a proposta do ex-Presidente da República levaria a que o país estivesse «seis meses» sem Governo e sem Presidente. Até onde subiriam os juros?», questionou, lembrando a crise política no verão e antevendo que uma subida de juros poderia significar «um segundo resgate com os juros a 15%».

«Isto é uma tontearia. Ele tem a obrigação de conhecer a Constituição», disse.

Num cenário de eleições antecipadas, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que, se acontecessem agora, António José seguro e António Guterres seriam os candidatos aos principais cargos políticos no país, afirmando que acredita que o ex-primeiro-ministro será candidato presidencial.

Sobre a manifestação das Forças de Segurança, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que os polícias não têm mais autoridade para impedir os manifestantes de subirem as escadarias da Assembleia da República.

Para o comentador da TVI, as forças de segurança perderam prestígio e o Governo. «Nós estamos numa de laxismo total, não há referenciais de poder, as pessoas andam à procura de um D. Sebastião para preencher o vazio de poder. O Governo em termos de gestão política tem sido uma nulidade e António José Seguro não consegue preencher o vazio, quando ao Presidente tem feito o que pode, mas não tem tido sucesso», disse.

Sobre o programa de ajustamento, o comentador da TVI defendeu que não podem existir dois discursos sobre a austeridade, nem pressões internas e externas ao Tribunal Constitucional. Sobre o papel dos juízes, Marcelo admitiu que são «momentaneamente» os homens mais fortes do país, rejeitando ainda as críticas da esquerda a Cavaco. «O Presidente tem mandado fiscalizar tudo quanto pode», referiu.

Por fim, Marcelo não deixou de condenar a polémica com a campanha de publicidade da Pepsi sobre Cristiano Ronaldo, assumindo que também ele deixava de beber o refrigerante.