Constança Cunha e Sá avisa que o facto de o défice de 2013 ficar abaixo do previsto pelo Governo, não vai ter impacto na vida dos portugueses. Na TVI24, a comentadora considerou, esta quinta-feira, que os números da execução orçamental são «um bom sinal, uma vitória do Governo», que «pela primeira vez cumpre uma previsão do défice», mas avisou que o que daí resulta não é uma mudança estrutural da economia. Constança Cunha e Sá alertou que Portugal se vai tornar «um país de segunda dentro da União Europeia».

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», a comentadora recordou que «a vitória do Governo é muito conseguida à base de uma carga fiscal que o próprio Governo considera insustentável, mas que não se vê muito bem quando é que pode ser retirada». Além disso, a redução da despesa «conseguiu-se com cortes que o próprio Governo diz que são transitórios», mas que Constança Cunha e Sá defendeu que são cegos: «Foram feitos todos em cima do joelho, para tapar buracos do défice».

O grande problema, para Constança Cunha e Sá, é que, para além do crescimento dos impostos e dos cortes erráticos na despesa, não foi feito mais nada, não houve mudança estrutural nenhuma. «O défice não vai ter efeitos na vida das pessoas», afirmou, e Portugal vai entrar «numa nova normalidade muito discutível», com um «crescimento anémico, vamos ter um país mais desigual», com salários baixos, reformas baixíssimas, desemprego enorme.

«Isto significa um empobrecimento da população de todo um país, vamos ter um país de 2ª dentro da União Europeia, o modelo da Alemanha e dos países ricos não vai ser o modelo de Portugal. A partir de agora, e pela primeira vez, uma geração vai viver pior do que a anterior e isso é admitido publicamente pelo Governo», rematou.