Marcelo Rebelo de Sousa admitiu, este domingo, que a renegociação da dívida pública não foi um tema pacífico na última reunião do Conselho de Estado. Uma reunião que também não reuniu consenso em relação ao calendário eleitoral para as próximas eleições legislativas.

No habitual espaço de opinião no «Jornal das 8» da TVI, o antigo líder do PSD frisou que o comunicado refletiu dois pontos de entendimento: sobre a necessidade de reforçar a voz de Portugal na política europeia e sobre os fundos estruturais de 2014 a 2020.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou ainda importante o apelo para que haja entendimentos entre as forças políticas e sociais quanto aos objetivos nacionais permanentes. E quem é que ganhou? «Cavaco Silva ganhou bastante» por ter conseguido fazer passar essa mensagem das pontes para o futuro, disse o comentador político.

«Mas Seguro também teve alguma vitória», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. O também conselheiro de Estado deu como exemplo o facto do tema da renegociação da dívida, que foi bastante discutido nas mais de cinco horas da reunião do Conselho de Estado, não ter sido referida no comunicado final. O que quis dizer que o «assunto não foi pacífico», rematou.

Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou também a ideia de interferência política na escolha de Vítor Bento e Moreira Rato para o BES. O comentador sublinhou que a nova administração do BES «tem condições» e defendeu que, neste caso, não se aplicam as criticas às ligações entre o poder económico e o poder político: «O governador do Banco de Portugal não é homem para ser pressionável».

No mesmo espaço de opinião, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou ainda que «ser líder da oposição em Portugal é um drama». Para o antigo líder do PSD, o secretário-geral do PS devia ter-se demarcado mais cedo da troika e da governação de José Sócrates porque agora já é tarde e soa a falso. O comentador político reconheceu, no entanto, que António José Seguro herdou uma situação difícil.