Constança Cunha e Sá classificou, esta sexta-feira, como «muito pouco clarificadora» a intervenção do Presidente da República a propósito do recente chumbo do Tribunal Constitucional a medidas do Orçamento do Estado para 2014 e dos pedidos dos partidos à sua intervenção. Na TVI24, a comentadora disse que Cavaco Silva tentou «fugir às responsabilidades» e voltou a dar um «sinal de impotência».

«A intervenção de Cavaco Silva foi muito pouco clarificadora. Por um lado, ficamos a saber que, por ele, não há crise política nenhuma (...) Para variar, empurra sempre a responsabilidade dessa hipotética queda do Governo para a Assembleia da República. E, portanto, de certa forma, demite-se das suas próprias funções», afirmou Constança Cunha e Sá no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

No dia em que o chefe de Estado garantiu que não é pressionável e se guia exclusivamente pelo «superior interesse nacional», Constança Cunha e Sá chamou a atenção para um discurso «contraditório» do Presidente da República.

«Acho que é uma mensagem em que ele tenta fugir às suas responsabilidades, é uma mensagem essencialmente em que Cavaco tenta (e ele faz isso com muita facilidade) fazer-se de morto. Pronto, eu estou aqui, mas no fundo não posso fazer nada. É esse sinal de impotência que vem sempre da Presidência da República (...) mas, por outro lado, também não se priva de dizer que uma crise política teria custos muito, muito elevados para os portugueses», afirmou.

Para Constança Cunha e Sá, «o Presidente da República tem a noção que se marcasse eleições, nestas circunstâncias, o sistema partidário desfazia-se». «Porque ninguém poderia levar a sério umas eleições em que por um lado estivesse Passos Coelho e do outro lado António José Seguro, com uma campanha a decorrer para primeiro-ministro no Partido Socialista», rematou.