Manuela Ferreira Leite considera que o PSD «está mais pobre» sem António Capucho e outros militantes que foram expulsos por terem apoiado outras candidaturas nas eleições autárquicas.

«É evidente que, do ponto de vista dos estatutos, não foi nenhuma surpresa para ele. Mas admito que, no caso dele, pudesse haver atenuantes. O que esteve na origem da atitude dele foi algo em que ele tem toda a razão», afirmou, na TVI24.

Segundo a social-democrata, Marco Almeida, que não foi apoiado pelo PSD mas por Capucho como independente, «era o candidato natural e estava muito bem posicionado para o PSD manter a Câmara de Sintra».

«Quando ele [António Capucho] tomou essa posição de o apoiar, era na convicção de que seria a favor do partido. Mas meia dúzia de pessoas que estão no topo e nunca foram ao local não escolhem um nome a partir do conhecimento das pessoas dos candidatos e escolhem lá nos gabinetes, através de critérios que não conheço, outras pessoas que as da região não conhecem, portanto nunca poderiam ganhar», explicou.

Para Ferreira Leite, o facto de ninguém ter ouvido Capucho sobre a candidatura a Sintra «deve fazer ponderar o PSD». «Ele tinha razão. Marco Almeida não ganhou porque havia outra pessoa do PSD [Pedro Pinto]. Capucho não esteve contra partido, esteve contra uma decisão da direção do partido», resumiu.

A ex-líder do PSD apelou ainda aos partidos que «ponderem» porque «andam aí a proliferar independentes». «A ideologia está totalmente fora da ação política», concluiu.