A situação do Grupo Espírito Santo e a detenção esta quinta-feira de Ricardo Salgado foram os pontos incontornáveis do comentário de Manuela Ferreira Leite na TVI24. Numa análise mais vasta ao problema, a antiga ministra criticou com base neste caso, o programa de ajustamento a que Portugal foi sujeito.

A comentadora lamentou a queda de Ricardo Salgado e do Grupo Espírito Santo, já que entende que Portugal precisa de grandes grupos económicos.

«Não me alegra a queda de uma pessoa que era considerada todo o poderoso. Acho que o país precisa de grandes grupos económicos», pelo que esta situação «só pode ser prejudicial ao pais».E acrescentou: «Olhávamos para o grupo como algo de relevante. E é nesse sentido que tenho pena».

A justiça também sai manchada neste caso no entender da antiga ministra das Finanças.

«Tenho alguma dificuldade em dizer - e admito que seja uma coincidência desagradável -, a imagem da justiça não sai muito bem de tudo isto porque se eram coisas tão complexas, tantas averiguações, se o MP já estava há tanto tempo a falar sobre o assunto, é uma coincidência desagradável que praticamente uma semana depois da pessoa sair de presidente de uma grande instituição financeira é que parece que surge tudo», pondo a hipótese de que «se ele mantivesse presidente do banco nada lhe tinha acontecido». E de o exemplo do ex-presidente do Benfica: «Vale e Azevedo enquando foi presidente do Benfica manteve-se impune».

A comentadora disse que o «caso BES» veio «confirmar muitas das coisas» que ela já tinha dito «dezenas de vezes»: «O programa de ajustamento não se adequava ao nosso país. Não tomava em conta a nossa realidade».



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