Constança Cunha e Sá, comentadora da TVI, e Paulo Almoster, editor de Política da TVI, sublinharam, esta quinta-feira, que o que vai contar para os mercados internacionais sobre a situação que envolve o Banco Espírito Santo (BES) é o comunicado do FMI a dizer que o «sistema bancário português precisa de medidas corretivas em alguns casos».

Na TVI24, a comentadora e o editor de Política defenderam que há «uma contaminação sobre a desconfiança e a idoneidade das pessoas» que, neste momento, ainda estão à frente do banco e que são as mesmas que estão ligadas às empresas do Grupo Espírito Santo (GES) que, no Luxemburgo, estão à beira da falência e ameaçam não pagar os empréstimos que contraíram a diversas empresas.

«Há aqui um problema de falta de credibilidade que afeta a gestão financeira do país e que afeta em particular o BES», afirmou Constança Cunha e Sá. Em entrevista nas «Notícias às 21:00», a comentadora sublinhou que o ponto está em saber o grau de exposição que o BES tem: «Os mercados até podem estar a exagerar, mas querem saber, de forma clara, qual é o grau de exposição do BES ao GES, que no fundo está a entrar em falência em contas gotas».

Na mesma entrevista, Paulo Almoster defendeu que o facto de não se distinguir exatamente o que é o património do banco (BES) e o que é o património da família que controla o banco (GES) devia ser resolvido de forma rápida. «O Vítor Bento devia tomar posse no imediato e ter ele já responsabilidade executiva de começar a tomar as decisões», defendeu.

Para o editor de Política da TVI24, «os depositantes do BES podem estar tranquilos» porque o BES reforçou a estrutura financeira: «O banco, até por sugestão do Banco de Portugal, fez recentemente um aumento de capital de 1045 milhões de euros e conseguiu que os acionistas o subscrevessem e pusessem esse dinheiro dentro do banco».



Sublinhando que os empréstimos que são conhecidos e que são feitos às empresas do GES somam cerca de mil milhões de euros, Paulo Almoster afirmou que «mesmo que o GES não pague, enquanto cliente, o empréstimo ao BES, o BES terá que assumir esse prejuízo». O editor realçou que, para além do aumento de capital, o BES tem ainda outra folga financeira que permite que a sua estrutura não seja abalada: «A estrutura de capital é suficientemente sólida para, se for esse o prejuízo, o banco aguenta-se». Isto se «não houver outras surpresas escondidas (...)», salvaguardou.