Mais de dois meses depois do crash do sistema informático da Justiça, no arranque do novo mapa judiciário, o tema aqueceu o Parlamento no encontro da ministra Paula Teixeira da Cruz com os deputados. Constança Cunha e Sá debruçou o seu comentário sobre esta polémica, já que «excluída a tese, fica sem se saber o que aconteceu». E é preciso saber por que é que os dois responsáveis pelo relatório que falava em sabotagem disseram ao Ministério Público o contrário. E sem sabotagem, onde fica a responsabilidade política pelo caos instalado nos tribunais.

«A coisa mais estranha de todas. Os dois dirigentes do instituto que gere o Citius, que fizeram o relatório, quando ouvidos no Ministério Público disseram precisamente o contrário do que tinham dito no relatório. Ou seja, enquanto no relatório apontavam para anomalias, ocultação, omissão de dados e manipulação (nunca usam a palavra sabotagem, mas, no fundo, é de sabotagem que estão a falar), quando ouvidos pelo procurador dizem que não havia qualquer hipótese de haver sabotagem», referiu Constança Cunha e Sá.

Há perguntas para as quais a comentadora gostaria de obter resposta: «Estes dois senhores mentiram no relatório? Fizeram um relatório do qual eles próprios discordam? E porquê? Foram obrigados?».

Constança Cunha e Sá concluiu: «Isto é grave. Estes dois senhores alguma explicação têm que dar». Já a «ministra não tirou a conclusão depois do arquivamento do Ministério Público», disse a comentadora.

«Alguém anda aqui a mentir (…) Com bodes expiatórios ou sem bodes expiatórios há aqui um caso muito grave que se passou» e «a haver um esquema, o esquema pifou».

«A ministra fica sem qualquer desculpa. E é aqui que entra a responsabilidade política».

Constança Cunha e Sá «acha que não tem condições para se manter», mas «neste governo tudo é possível e tudo fica».

Veja o comentário de Constança Cunha e Sá na íntegra.