Marcelo Rebelo de Sousa considera que as declarações de Rui Machete sobre a barreira dos juros a dez anos nos 4,5% para que Portugal não tenha um segundo resgate poderão prejudicar o país.

«Ele é ministro dos Negócios Estrangeiros, os mercados olham para ele, os observadores internacionais olham para ele... E dizem que para o Governo, para o primeiro-ministro, o número mítico é 4,5%. Se for acima, resgate! Se for igual ou abaixo, não tem resgate».

No seu comentário habitual no «Jornal das 8», aos domingos, o professor de Direito mostrou-se desagradado com as declarações do MNE em visita à Índia, questionando a capacidade de Rui Machete para tal declaração. «Ele não é ministro das Finanças, aliás, que não arrisca nenhum número; ele não é ministro da Economia, que não arrisca nenhum número; ele não é ministro com a coordenação económica, ele não é economista, (... ) porque é que foi dizer, nós escapamos ao regate se tivermos 4,5% ou menos?»

Questionado por Judite Sousa sobre eventuais consequências para o ministro dos Negócios Estrangeiros relativamente à gravidade destas declarações, Marcelo Rebelo de Sousa considera que «o primeiro-ministro não podia tirá-lo, e agora menos ainda...»

«E que não é uma mera declaração infeliz, é uma declaração que diz mais do que qualquer ministro diria neste momento, à distância de sete meses» do fim do programa de ajustamento.

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