«Acho que a pior obra pós-25 de Abril foi o ensino. Está muito mal estruturado. Concebemos o ensino para doutores e engenheiros, e depois não há ensino para mais ninguém», disse Henrique Medina Carreira, referindo-se à falta de ensino técnico no país. «Nós não temos intermédios», considerou.

«Há democracia a menos no pensamento sobre o ensino»

O tema do programa desta segunda-feira foi a «indisciplina e outras disfunções no ensino». Para o comentador da TVI24, «arranjou-se uma mitologia» para tapar «a mediocridade» no ensino em Portugal, acrescentando em relação aos professores: «Tiraram-lhes a força.»

«Ano após ano, alunos do superior são piores»

«A democracia é cá fora, isto transportado para dentro da escola é uma aldrabice, passo a expressão», afirmou também o professor. Esta perspetiva tem consequências «no emprego, emigração e crise», referiu Medina Carreira, sublinhando que os alunos acabam por ser «as vítimas» do sistema de ensino.

«Matou-se a identidade do professor»

O professor Gabriel Mithá Ribeiro, historiador e investigador no ISCTE, convidado desta noite, falou do que considera serem os três pilares do ensino: «O conhecimento, o professor e o aluno, por esta ordem.»

«Um princípio que se instalou, e é muito perigoso, é centrar tudo no aluno. Passámos de um ensino centrado no professor para um ainda pior que é centrado no aluno», disse Mithá Ribeiro. «Matou-se a identidade do professor», considerou.

«Foi trazida a democracia em excesso para a sala de aula, onde ela não faz falta nenhuma, e há democracia a menos no pensamento sobre o ensino», afirmou ainda Gabriel Mithá Ribeiro.