Constança Cunha e Sá sublinhou, esta quinta-feira, na TVI24, que a reforma do Estado não só não existe, como é uma «invenção» do Governo, que mesmo após a remodelação, continua a seguir a linha de atuação do ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar. No dia em que o Conselho de Ministros voltou a adiar a apresentação do guião para a reforma do Estado, a comentadora não se mostrou surpreendida e afirmou que a única coisa que o Executivo tem feito é fazer «cortes avulsos» que vão sendo desenhados ao sabor das circunstâncias.

«Onde está o guião da reforma do Estado? Porque dá ideia que não existe», começou por referir Constança Cunha e Sá. No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», a comentadora chamou a atenção para «uma falta absoluta de coordenação dentro do Governo», que só se tem limitado a fazer «uma série de cortes ditados pela necessidade».

«O que vimos até agora neste dois anos não foi reforma do Estado coisíssima nenhuma: foi apenas a fixação de um valor [4,7 mil milhões de euros] (...) mas faltava desenhar a medida. Portanto, vamos cortando até somar isto. Isto não é uma reforma, como é óbvio. Isto são cortes avulsos que vão sendo desenhados ao sabor das circunstâncias (...), com recuos e avanços», defendeu Constança Cunha e Sá.

«O que vai aparecer agora um guião?! Mas o que é um guião depois do corte já estar determinado no Orçamento do Estado? (...) Aliás a reforma do Estado é uma invenção. O que provocou enormes divisões [no seio do Governo] foram os cortes», acrescentou.

Para Constança Cunha e Sá, não é por acaso que «não há vestígio nenhum» do novo ciclo que se ia iniciar com a remodelação e com a saída de Vítor Gaspar: «Olha-se para o Orçamento e não se vê ali nada: nem Pires de Lima conseguiu baixar o IVA da restauração, nem conseguiu subir o salário mínimo, nem Paulo Portas conseguiu convencer a troika. Nada. Zero». «Continuamos numa linha Gaspar sem Gaspar, com Maria Luís Albuquerque, que, no fundo, é que determina quais são os cortes a fazer», concluiu.