Constança Cunha e Sá disse, esta quarta-feira, que as previsões do Banco de Portugal, que apontam para a «recuperação gradual» da economia, ajudam a perceber que os três anos de austeridade «não serviram para nada». Na TVI24, a comentadora sublinhou que, a confirmarem-se, essas previsões demonstram que o perfil da economia, que Pedro Passos Coelho anunciou, não existe: é que, agora, todo o crescimento assenta na procura interna (o crescimento que não interessava ao Governo) e não nas exportações (como pretendia o primeiro-ministro).

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá sublinhou que Passos Coelho «não pode dizer que houve uma mudança estrutural». Todas as previsões do Banco de Portugal dizem que o PIB vai subir mas, mesmo em 2016, não vai conseguir ser equivalente ao PIB de 2008, explicou a comentadora. Para Constança Cunha e Sá, Portugal está «a galopar para o modelo pré-troika do consumo e não de exportações, mas com uma diferença: está mais pobre».

«Portanto, qual é a mudança estrutural de que o primeiro-ministro se pode orgulhar? O empobrecimento do país. Essa é a única mudança estrutural que houve», defendeu, frisando que os estragos que foram feitos na economia e na vida dos trabalhadores dificilmente serão recuperáveis nos próximos anos.

Para a comentadora, «o que assusta nisto tudo» é que o Governo «está sempre a correr atrás do prejuízo: de corte em corte (...), a estratégia é sempre a mesma. Primeiro: é não haver estratégia nenhuma em relação ao futuro, a seguir ao pós-troika (...). Primeiro define-se o valor dos cortes, depois o alvo, e só depois se desenha a tática, desenha-se a coisa muito mal desenhada às três pancadas (...) e em função sempre de cortes que são impostos pela troika». «As previsões do Banco de Portugal ajudam a perceber isso: ajudam a perceber que isto não serviu para nada!», concluiu.