O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou a transferência para a justiça angolana do processo do ex-vice-presidente angolano, Manuel Vicente, arguido na Operação Fizz, faz “desaparecer o irritante” nas relações entre Portugal e Angola.

Se for assim, se quem tem poder de decidir, decide isso, isso significa que há uma transferência e, havendo transferência, se for esse o caso, desaparece o ‘irritante’, como aliás chamou o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, que é aquele pequeno ponto que existia, embora menor, mas existia, a ser invocado periodicamente nas relações entre Portugal e Angola”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, questionado em Florença, Itália, sobre a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa.

Sobre a normalização das relações entre os dois países na sequência desta decisão, o Presidente da República disse esperar que Portugal e Angola possam cooperar, pois é essa a sua vocação, e lembrou que, “já na próxima semana, há uma cimeira em termos de defesa nacional entre os dois países”.

Eu sempre achei que os países estavam vocacionados em encontrarem-se e espero que assim aconteça e que nós possamos fazer em conjunto um percurso que é um percurso importante para o povo angolano e para o povo português”, declarou o chefe de Estado, que hoje participa numa conferência no Instituto Universitário Europeu de Florença sobre a União Europeia.

Costa diz-se "feliz"

Por seu turno, o primeiro-ministro afirmou que ficou feliz com a decisão judicial de transferir para Angola o processo que envolve o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente, considerando que desapareceu o único fator "irritante" nas relações luso-angolanas.

Numa declaração à agência Lusa, António Costa disse que a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, no âmbito do processo Operação Fizz, "é a demonstração de que vale a pena confiar no regular funcionamento das instituições judiciais para assegurar a boa aplicação da lei".

Fico feliz que o único 'irritante' que existia nas relações entre Portugal e Angola desapareça", acrescentou o primeiro-ministro.

"Nível mais alto"

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros português disse tomar “muito boa nota” da decisão da justiça portuguesa de enviar para Angola o processo do ex-vice-presidente angolano, afirmando que a relação bilateral poderá agora passar para “o nível mais alto”.

Esta decisão, encerrando um ‘irritante’, permite que a relação entre Portugal e Angola passe para o nível mais alto possível do relacionamento”, afirmou à Lusa, Augusto Santos Silva.

Questionado se esta decisão permitirá agora que o primeiro-ministro, António Costa, visite Angola – algo que já esteve previsto, mas ainda não se concretizou – Santos Silva respondeu que “esse é um trabalho muito prioritário para a diplomacia portuguesa”.