António Vitorino é o novo diretor-geral da Organização Internacional das Migrações.

O anúncio foi feito pela organização no Twitter, indicando que o português venceu a votação, por aclamação, contra a costa-riquenha Laura Thompson.

O português tinha ultrapassado as primeiras três rondas da votação de hoje e venceu a quarta ronda, da qual tinha sido excluído o candidato norte-americano.

O controverso candidato Ken Isaacs, escolhido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, foi eliminado, o que acontece pela primeira vez em décadas a um candidato dos EUA.

Na quarta volta participaram António Vitorino e a costa-riquenha Laura Thompson, a atual vice-diretora-geral da organização.

Marcelo Rebelo de Sousa já falou com Vitorino e a Presidência da República emitiu uma nota.

Segundo uma nota divulgada no portal da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa "falou com o doutor António Vitorino, que felicitou calorosamente pela sua eleição, por aclamação, para diretor-geral da OIM", organização com 169 Estados-membros integrada no sistema das Nações Unidas.

O chefe de Estado felicitou igualmente o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros, e a diplomacia portuguesa por mais este excelente resultado, que confirma e reforça o papel do nosso país na cena internacional", lê-se na mesma nota.

O Presidente da República considera que "a eleição do doutor António Vitorino tem uma grande importância para Portugal, numa área tão importante e sensível como a das migrações".

Alguém que tem experiência, foi comissário [europeu] nesta área e foi um ótimo comissário, tem uma visão aberta, global, que chega a todos os continentes, ter um dossiê tão sensível é tão bom para o mundo. Contra os protecionismos, contra as xenofobias, contra as clausuras, contra as intolerâncias", acrescentou, concluindo: "É uma ótima notícia".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, nesta matéria, como noutras, Portugal tem um papel de "plataforma entre culturas, oceanos e continentes".

Nas migrações, nota-se, é particularmente sensível. Já se notou nos refugiados. Está clara nas Nações Unidas. Quer dizer, por toda a parte a escolha de portugueses excecionais significa que o país, ele próprio, tem esta vocação e que a nossa política externa, mantendo-se a mesma, conhece um dado novo: somos mais importantes no mundo do que éramos", sustentou.

Sobre a sua conversa telefónica com António Vitorino, o Presidente da República disse que aconteceu "no momento preciso em que estava a formular-se a aclamação, porque houve ali um compasso de espera até converter-se o que seria uma votação de dois terços numa aclamação".

Foi uns segundos antes de ser formalizada a aclamação. E ele estava legitimamente feliz, porque ele, nas audições a que foi submetido, fez prestações brilhantíssimas - eu ouvi isso da parte de vários chefes de Estado e chefes de Governo", relatou.

António Costa já deu os parabéns a António VItorino pela eleição. 

Portugal continua a assumir as suas responsabilidades na gestão global das migrações com a eleição de António Vitorino para diretor-geral da OIM (Organização Internacional para as Migrações), que felicito calorosamente", escreveu o líder do executivo português na rede social Twitter.

 

O Governo também emitiu um comunicado a parabenizar antónio Vitorino.

A candidatura de António Vitorino a este importante posto internacional demonstra a muito elevada relevância que Portugal atribui à temática e ao diálogo em matéria de migrações e à premente necessidade de serem encontradas soluções eficazes para os problemas migratórios no quadro internacional. A sua eleição traduz o justíssimo reconhecimento do indiscutível mérito e capacidades pessoais deste destacado cidadão e do seu notável percurso profissional, durante o qual estiveram sempre muito presentes os assuntos e processos relacionados com as migrações", pode ler-se na nota.

Para o MNE, a eleição “traduz o justíssimo reconhecimento do indiscutível mérito e capacidades pessoais deste destacado cidadão e do seu notável percurso profissional, durante o qual estiveram sempre muito presentes os assuntos e processos relacionados com as migrações”, uma referência nomeadamente às funções de comissário da Justiça e Assuntos Internos da União Europeia.

O Governo Português está plenamente seguro de que António Vitorino é a pessoa certa para conduzir a OIM neste difícil período e que a sua gestão valorizará a promoção da paz e da segurança, a tolerância, o respeito pelos direitos humanos e o desenvolvimento sustentável, que norteiam a política externa portuguesa”, lê-se no comunicado, que sublinha ainda que a organização está num “momento crucial da sua história”.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, considerou hoje que António Vitorino leva “competências cruciais” à Organização Internacional das Migrações (OIM) pela sua experiência como comissário europeu para os Assuntos Internos, numa nota enviada à Lusa.

A União Europeia felicita António Vitorino pela sua eleição como novo diretor-geral da Organização Mundial para as Migrações (OIM),a agência das Nações Unidas para as migrações”, disse Mogherini uma nota enviada à Lusa.

A eleição de Vitorino, salienta, “traz competências cruciais no campo da migração devido aos postos que já ocupou, incluindo o de comissário europeu para os Assuntos Internos”.

A candidatura de Vitorino à liderança desta organização, fundada no início da década de 1950 foi formalizada, pelo Governo português em dezembro do ano passado.

A OIM foi integrada na estrutura multilateral da ONU a 25 de julho de 2016. Antes, a organização tinha recebido, em 1992, o estatuto de observador permanente na Assembleia-Geral da ONU e firmado um acordo de cooperação (1996).

A par dos 169 Estados-membros, a OIM conta com oito países que detêm estatuto de observadores.