A coordenadora do BE, Catarina Martins, rejeitou que o descongelamento de carreiras dos funcionários públicos seja faseado em mais de dois anos, recordando que o acordo com o PS é para o fazer durante a legislatura.

O Governo garantiu na quinta-feira que o descongelamento das progressões das carreiras, em 2018, beneficiará "a maioria" dos funcionários públicos e o processo será concluído "em poucos anos", tendo o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) revelado que este será feito entre 2018 e 2021.

Nós sabemos que não é possível fazer tudo ao mesmo tempo, mas o acordo que nós temos é um acordo para descongelar as carreiras durante esta legislatura e, portanto, podendo ser faseado, deve ser faseado em dois anos e não mais de dois anos", respondeu Catarina Martins aos jornalistas à margem da primeira ação de campanha para as eleições autárquicas do dia, uma visita ao mercado de Guimarães, distrito de Braga.

A líder bloquista recordou que os funcionários em causa "estão há mais de uma década a perder poder de compra todos os anos", que "há três escalões da função pública que são ultrapassados pelo aumento do salário mínimo nacional" e "toda gente em Portugal quer serviços públicos que funcionem".

A reivindicação do descongelamento de carreiras é uma reivindicação muito justa e necessária", reiterou.

O estudo dos economistas "da área do PS" que foi conhecido na quinta-feira foi de novo referido por Catarina Martins, que sublinhou que este "fala da possibilidade de se fazer melhor do que esta proposta do Governo".

Se tiver que ser de uma forma escalonada, que o seja em dois anos e que responda primeiro a quem ganha menos", defendeu.

Para a líder bloquista é evidente que os compromissos assumidos com as pessoas devem ser cumpridos

Fizemos um compromisso para uma legislatura, temos de cumprir", enfatizou.

Segundo Catarina Martins, "enquanto o Orçamento do Estado para 2018 não está pronto" vai havendo negociações do Governo.

Soubemos sempre encontrar as soluções necessárias, equilibradas e está provado que quando nos sentamos a encontrar essas soluções, cumprindo os compromissos que assumimos perante o país, fomos capazes de o fazer promovendo crescimento da economia e tendo contas públicas mais saudáveis", recordou.

Questionada sobre as pensões, a líder recordou que tem sido "feito um trabalho sobre pensões que é importante, mas que não chega".

Mecanismos como pôr em prática de rotatividade dá 350 milhões por ano podem permitir de uma forma sustentada fazer aumentos das pensões", reiterou.

PCP não aponta prazos

O líder do PCP desejou um "bom começo" no descongelamento das carreiras da função pública e do setor empresarial do Estado, "já em 2018", sem definir qualquer prazo-limite para o processo.

Não colocando o 'tudo ou nada', mas tem de haver uma evolução já em 2018 dessa questão. Não quantificamos, não calendarizamos", afirmou Jerónimo de Sousa, entre "arruadas" autárquicas em Alcácer do Sal e Grândola, dois municípios presididos pela CDU, que junta comunistas, ecologistas e cidadãos independentes.

O Governo garantiu na quinta-feira que o descongelamento das progressões das carreiras, em 2018, beneficiará "a maioria" dos funcionários públicos e o processo será concluído "em poucos anos", tendo o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) revelado que este será feito entre 2018 e 2021.

Não fiz contas, não tenho os elementos. O que consideramos é que um bom começo é fundamental porque um bom começo determinará os ritmos em relação a essa matéria tão sensível", continuou o secretário-geral comunista.

Jerónimo de Sousa recordou ainda as negociações para o Orçamento do Estado para 2017 (OE2017) e o que então ficou definido com o executivo do líder socialista, António Costa.

Temos como ponto de partida a nossa posição, que ficou refletida no Orçamento do Estado para 2017, de que haveria o compromisso de descongelamento das carreiras a iniciar já no ano de 2018", lembrou.