Houve uma divergência entre BE e Governo no debate orçamental - por causa da contribuição das empresas de energias renováveis -, mas para o Presidente da República esse arrufo não põe em causa a estabilidade em Portugal. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa continua a dizer que a legislatura vai até ao fim.

Não me preocupa. Há duas coisas diferentes. Uma coisa é, realmente, o pluralismo, a divergência, os debates parlamentares ou fora do parlamento. Isso tem de ser, são vivos, faz parte da essência da democracia. Outra coisa é pensar que não haverá, no essencial, na fórmula de apoio ao Governo, a estabilidade suficiente para durar a legislatura".

Em declarações aos jornalistas no Terreiro do Paço, em Lisboa, antes de um passeio de elétrico com a Presidente da Confederação Suíça, o Presidente desvalorizou "essa vivacidade ou intensidade dos debates", neste caso concreto entre BE e Governo, e acrescentou: "Eu continuo a pensar que a legislatura vai até ao fim".

Mais tarde, no encerramento do 1.º Congresso dos Gestores Portugueses, na Culturgest, em Lisboa, o Presidente da República apelou a que a área da governação se mantenha estável e forte até ao fim da legislatura, afirmando que são "indesejáveis crises ou surtos sociais inorgânicos".

Marcelo pediu também e que a oposição supere divisões e seja alternativa, voltando a rejeitar "ilusórios blocos centrais".

Tem de revelar, até ao fim da legislatura, por um lado, uma área de governação forte e estável, mas, por outro, uma área de oposição capaz de superar divisões e de se apresentar como uma alternativa de futuro, até porque ilusórios blocos centrais não cabem nesta realidade imediata".

Na segunda-feira, a deputada do BE Mariana Mortágua acusou os socialistas de "deslealdade" e de cederem ao "poder das eletricas", “voltado com a palavra atrás" ao mudar o seu sentido de voto e chumbar uma nova taxa sobre as empresas de energias renováveis.

"Quando era preciso um primeiro-ministro com `nervos de aço´ para responder às empresas que pretendem manter rendas de privilégio, o Governo falhou", lamentou Mariana Mortágua.

Ora, hoje o Presidente da República lembrou que já foram aprovados três dos quatro orçamentos desta legislatura, "falta votar um só", no próximo ano. 

É verdade que é aquele que antecede as duas eleições [europeias e legislativas de 2019], mas, precisamente por isso, é aquele que ninguém está a ver que venha a provocar um problema pré-eleitoral antecipado".

O Orçamento do Estado para 2018 foi ontem aprovado, como previsto, pela maioria parlamentar de esquerda e ainda contou com o voto favorável do PAN. O Presidente da República está "expectante" em relação à versão final do documento.