O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, acusou este sábado o PSD e CDS-PP de agitarem os "espantalhos do medo" em torno do Orçamento do Estado, procurando "semear o desânimo" entre os portugueses.

"Tem sido escandaloso ver PSD e CDS-PP papaguear a linguagem dos mandantes, a aplaudir todo e qualquer despacho de Bruxelas", vincou Jerónimo de Sousa, que falava em Lisboa num encontro de quadros do jornal Avante!, órgão do partido.

Os partidos da direita, que "tanto mal" fizeram aos cidadãos nos últimos quatro anos, agitam agora os "espantalhos do medo" também porque temem que o exemplo governativo português - com um Executivo do PS apoiado parlamentarmente por outras forças - seja replicado "noutras paragens".

"Talvez também por isso, a dose de veneno que expelem contra o PCP não seja por acaso", sublinhou Jerónimo de Sousa, citado pela Lusa.

Perante algumas dezenas de militantes comunistas, o secretário-geral do PCP advertiu que "cada pequeno avanço, cada pequena conquista, cada medida alcançada a favor dos trabalhadores e do povo" tem pela frente uma "brutal desinformação" apoiada numa "campanha de forças saudosistas da ‘troika'".

No que refere à proposta de Orçamento, atualmente em discussão no parlamento em sede de especialidade, Jerónimo criticou também PSD e CDS-PP por virem "agora chorar" por haver aumento da carga fiscal em setores como a banca ou os fundos imobiliários, "aqueles que eles [PSD/CDS-PP] acham que não deviam ser tocados".

"Nós defendemos que quem mais tem, quem mais lucra, mais deve pagar. Quem menos tem, menos deve pagar", sustentou o secretário-geral do PCP.

O jornal Avante!, que está a assinalar 85 anos de existência, metade dos quais na clandestinidade como órgão antifascista, continua a afirmar-se hoje como um instrumento do PCP em prol dos trabalhadores.

Jerónimo começou a sua intervenção na sessão desta tarde por traçar uma cronologia do Avante!, órgão de informação que é uma "arma insubstituível" do PCP ao longo dos anos.

Apesar das "muitas tentativas de silenciamento" ao longo dos anos, o título mantém-se como o "porta-voz" por uma "política patriótica de esquerda", vincou o líder comunista.

"O reforço do Avante! significará sempre o reforço do partido", prosseguiu Jerónimo de Sousa.