O líder parlamentar do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, aconselhou esta quinta-feira o primeiro-ministro a «ouvir bem» Manuela Ferreira Leite ou Bagão Félix, recordando a crítica que Passos Coelho fez no sábado sobre comentadores com «preguiça», que são «orgulhosos» e tiram conclusões «patéticas».

 

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«Verifica-se mais uma vez que o senhor vive como como sendo um primeiro-ministro de um país imaginário, visto que está convencido que os portugueses ficaram convencidos com a evolução do país em 2014 e que estão muito otimistas com aquilo que se prepara para 2015, mas posso-lhe dizer que é exatamente o contrário», começou por dizer Ferro Rodrigues na Assembleia da República, onde decorre esta quinta e sexta-feira o debate sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2015.

 

 

«O senhor primeiro-ministro queixou-se a semana passada de comentadores políticos, muitos dos quais do seu partido, chamando-lhes orgulhosos, preguiçosos, patéticos. Ora, mas o que é este orçamento se não até mais do que isso?», interrogou, indo ainda mais longe, «este é um orçamento extremamente arrogante».

 

 

Ferro Rodrigues exclamou: «em vez de catalogar os seus antigos companheiros, presidentes do PSD e outros líderes de opinião, aconselho-o a ouvi-los melhor, sobretudo a ouvir bem a dra. Manuela Ferreira Leite e o dr. Bagão Félix. Tem muito a aprender, senhor primeiro-ministro».

 

 

«O drama é que o senhor primeiro-ministro vive num país imaginário, mas os portugueses têm um primeiro-ministro concreto que é o senhor, que tem repetido com teimosia um conjunto de medidas que são negativas e que são incompetentes», prosseguiu.

 

 

Passos Coelho desvaloriza «conselho» de Ferro Rodrigues

 

 

Já na sua segunda intervenção, e em resposta a Ferro Rodrigues, Passos Coelho afirmou ser «extraordinário» o facto de ouvir o líder parlamentar do PS a citar os antigos ministros Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix.

 

 

«Ao contrário do que supõe, essa citação não me incomoda, porque à frente do Governo estou muito habituado a lutar com adversidades, venham ou não da minha área política. Encaro-as sempre com total normalidade democrática e nunca deixei de convidar os meus adversários ou concorrentes para poderem estar próximos de mim e assim poderem acompanhar o ímpeto reformista do país», desvalorizou o primeiro-ministro.