O PSD reconheceu que a proposta de Orçamento do Estado para 2014 é um «exercício duro» para as famílias, empresas e país, mas lembrou que é também um «exercício de libertação» da troika e do memorando de entendimento.

«O OE para 2014 será um exercício duro para as famílias, para as empresas, para o país. Mas sendo um exercício duro, será também um exercício de libertação, com equidade e justiça social. Será um exercício de libertação porque este OE é o último que faremos sob a alçada do programa de assistência económica e financeira», disse o deputado social-democrata Luís Menezes numa declaração política na Assembleia da República.

Em nome da bancada do PSD, Menezes reconheceu que «não vale a pena ser meigo nas palavras para descrever este orçamento», advertindo todavia que na execução do documento reside a recuperação da «soberania plena» de Portugal.

O deputado enaltece contudo que o OE deve ser também visto como um «exercício de justiça e equidade social, pedindo mais a quem mais tem, para ajudar os que menos têm».

Luís Menezes deu como exemplo as pensões mais baixas, que «serão novamente atualizadas», a reintrodução dos prémios de produtividade para os funcionários públicos, a taxa de contribuição extraordinária sobre o setor energético ou a redução ou anulação das subvenções políticas relativas a cargos políticos.

«Outras medidas concretas podiam ser apontadas, mas estas refletem aquilo que o Governo também pretende este exercício orçamental: rigor, transparência, equidade, justiça social», declarou.

Dados recentes da melhoria da economia portuguesa e das exportações, entre outros, permitem dizer que «é possível aliar rigor orçamental com crescimento», disse ainda o deputado social-democrata.

Na resposta, o deputado do PS João Galamba, numa intervenção muito aplaudida pela bancada socialista, disse que este não seria o exercício de libertação da troika, antes um orçamento de «servidão, mentira e dissimulação», que «merece o repúdio da oposição e deveria merecer o repúdio das bancadas do PSD e CDS-PP».

Galamba, disse o deputado do PSD, num dos momentos mais acalorados da tarde parlamentar, «devia ter vergonha» pela sua «falta de memória», visto ter sido o PS, por exemplo, que congelou as pensões mais baixas, revistas neste Orçamento para 2014.