O líder parlamentar do PSD desafiou hoje a direção socialista de António José Seguro a libertar-se de uma «liderança ensombrada» pelo seu antecessor, José Sócrates, e pelo fundador do PS Mário Soares.

No encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2014, na Assembleia da República, Luís Montenegro sustentou que só assim o PS ficará disponível para o diálogo com a maioria PSD/CDS-PP, e apelou à «clareza» e à «coragem».

Numa alusão à conferência impulsionada por Mário Soares que se realizou na quinta-feira, na Aula Magna, em Lisboa, o líder parlamentar do PSD perguntou: «Afinal, quem faz hoje a agenda do PS? O seu secretário-geral, ou essa aula magna que instiga a quebra da urbanidade e do respeito democrático e que exige, de uma assentada e cumulativamente, a queda do Governo, a queda do parlamento e a queda do Presidente da República? Onde está a defesa do Estado de direito e onde está a defesa da Constituição da República?».

Luís Montenegro, que neste ponto do seu discurso foi interrompido por palmas das bancadas da maioria, afirmou: «O país espera do PS a capacidade para conjugar esforços num diálogo sobre o nosso futuro coletivo, mas para isso é preciso que tenha verdadeira vontade. Tenho para comigo que isso só acontecerá quando se libertar de uma liderança ensombrada pelo ex-líder [José Sócrates] e pelo fundador [Mário Soares], alternadamente».

Segundo o social-democrata, «ainda se ouvem palavras construtivas e de moderação em Francisco Assis [membro do Secretariado Nacional do PS] ou mesmo em Teixeira dos Santos [ministro das Finanças do anterior Governo do PS], que defendeu a abstenção do PS neste Orçamento do Estado».

«E o silêncio da direção do PS, que valor devem os portugueses atribuir-lhe? De concordância encapotada, ou de discordância envergonhada?», interrogou.

«Todos precisamos de clareza. O futuro de Portugal precisa da clareza de todos. Todos precisamos de humildade e de coragem, e o futuro de Portugal precisa da humildade e da coragem de todos», defendeu.

Luís Montenegro sustentou que «o patriotismo e a responsabilidade sobre as futuras gerações» obrigam a um «entendimento mínimo sobre o caminho a seguir, sem complexos e sem fantasmas».

Na «iminência do regresso pleno aos mercados»

O líder parlamentar do PSD sustentou hoje que o Governo colocou Portugal na iminência do regresso pleno aos mercados, apontando o OE2014 como um documento estratégico para um crescimento consistente.

«Portugal passou da iminência da bancarrota à iminência do regresso pleno aos mercados. Evoluiu de uma situação de situação de desconfiança generalizada para uma situação de recuperação da credibilidade externa», argumentou Luís Montenegro no encerramento do debate na AR.

Para o social-democrata, «apesar de tudo, o país conseguiu crescer na adversidade», assinalando a passagem «da recessão técnica» para «uma fase de crescimento moderado em dois trimestres consecutivos» em 2013.

«Desengane-se quem pensa que o Governo apresenta um orçamento de mera gestão corrente de bens escassos. Apresenta, sim, uma proposta com visão, com estratégia para sairmos da administração da penúria em que nos deixaram. Sabemos o que queremos e para onde vamos. O Orçamento do Estado para 2014 relança as bases para um crescimento consistente, plurianual», sustentou.

O líder parlamentar do PSD defendeu que o OE2014 tem o «rigor», a «solidariedade» e o «crescimento» como marcas.