O líder da bancada do PS lamentou esta quinta-feira que o desafio à maioria governamental para que aprove propostas socialistas tenha merecido uma resposta «sem dignidade de resposta», mas salientou que continua disponível para o diálogo no parlamento.

Alberto Martins falava aos jornalistas na Assembleia da República, depois de na véspera o porta-voz do PSD, Marco António Costa, ter classificado como «populistas» as propostas do PS de alteração ao Orçamento do Estado para 2014, para o aumento do salário mínimo e redução do IRC.

«As iniciativas do PS têm a resposta que é conhecida, que é uma não resposta, ou então respostas que não têm dignidade de resposta. Por isso, quando pretendem do PS respostas aos reptos que são colocados, devem esperar uma reciprocidade. Não obstante isso, o PS está sempre disponível para o diálogo com todas as forças políticas no âmbito parlamentar. É isso que fazemos todos os dias e iremos continuar a fazer», frisou o líder da bancada socialista.

Em relação à acusação de populismo feita ao PS pelo vice-presidente e coordenador da Comissão Política do PSD, Alberto Martins respondeu usando a ironia.

«De facto, nós apresentamos propostas que defendem os interesses do povo. Se é ser populista o caso de defendermos as universidades portuguesas, nós defendemos as universidades», contrapôs o líder da bancada socialista.

Alberto Martins questionou ainda se «é populismo aumentar o salário mínimo» nacional, «distribuir três mil milhões de euros» do fundo de recapitalização da banca e «criar melhores condições e desagravar a vida das pessoas?»

«Se isso é populismo, nós defendemos o povo e os mais carenciados», reagiu o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Na terça-feira, no final de uma conferência promovida pela Tendência Sindical Socialista, o secretário-geral do PS, António José Seguro, desafiou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a aprovar propostas da bancada socialista de alteração ao Orçamento, de redução para metade do IRC em relação aos primeiros 12500 euros de livro e para o aumento do salário mínimo nacional.

António José Seguro advertiu que o grau de disponibilidade para aceitar algumas dessas propostas seria um verdadeiro teste à real vontade do primeiro-ministro de pretender consensos com o PS.

Na quarta-feira, Marco António Costa classificou como «populistas» as propostas apresentadas pelo PS.