O porta-voz do PSD, Marco António Costa, reafirmou esta quinta-feira que o país não está em tempos de tratar as propostas orçamentais numa «lógica populista», considerando que o PS revela uma «hipersensibilidade incompreensível» às críticas dos sociais-democratas.

«O que nós não compreendemos é que o PS não só não quer dialogar como agora revela uma hipersensibilidade incompreensível, porque, de facto, as propostas [de alteração do Orçamento do Estado para 2014] que o PS apresentou são propostas que só procuram posicionar, sob o ponto de vista politico, o PS numa lógica de um certo populismo relativamente à matéria do Orçamento do Estado», afirmou Marco António Costa, à margem de um encontro com o reitor da Universidade do Porto.

Segundo Marco António, o país não está «em tempo de tratar as propostas orçamentais numa lógica populista». «Isso já deu o resultado que nós conhecemos em maio de 2011, com os erros que foram acumulados e com as consequências que hoje o país ainda está a pagar desses erros passados», sublinhou.

O coordenador permanente da Comissão Política Nacional do PSD respondia assim ao PS, que esta quinta-feira desafiou o PSD a aprovar as propostas de alteração ao Orçamento do Estado «que fazem a diferença na vida dos portugueses», apesar de o PSD ter começado «muito mal» a chamar de «populistas» os socialistas.

«Com serenidade, esperaremos pelo vosso voto nas propostas que fazem a diferença na vida dos portugueses», afirmou o deputado socialista Pedro Marques na discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2014.

Pedro Marques respondia ao porta-voz e presidente do PSD, Marco António Costa, que na quarta-feira afirmou que propostas que o PS apresentou em alternativa ao Orçamento do Estado para 2014 «não têm neutralidade orçamental» e «são uma tentativa de afirmação populista».

«O PS permanentemente dirige críticas violentíssimas a todos os agentes partidários, ao Governo, e isso não impede que da nossa parte se mantenha uma natural e saudável disponibilidade para o diálogo, nós não sofremos dessa hipersensibilidade política que o PS parece sofrer», disse Marco António aos jornalistas.

Para o social-democrata, a vivência numa «sociedade plural, democrática, em que a crítica entre partidos é natural, é saudável, marca as diferenças, não deve impedir em qualquer circunstância o diálogo institucional».

«Acho que o PS tem de definir o que pretende fazer da sua posição institucional. Nós temos uma enorme abertura para o diálogo institucional, [mas isso] não quer dizer que não tenhamos capacidade de ter uma apreciação critica sobre a atuação do PS», referiu.

Marco António Costa disse ainda que o PSD vê «com naturalidade» a conferência impulsionada pelo antigo Presidente da República, Mário Soares. «Somos uma sociedade democrática, plural.»