O Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que o programa de ajustamento firmado entre a troika e Portugal «falhou todas as metas anunciadas» e «resta ao Governo sair» pois o executivo governa «sem qualquer legitimidade».

«A questão é simples. Na reta final de um programa que falhou todas as metas anunciadas, e sem qualquer legitimidade, resta ao Governo sair. Demitir-se. Para que com eleições se gere a legitimidade necessária a um programa para o país, em nome das pessoas», disse a coordenadora do BE Catarina Martins no parlamento, na intervenção de encerramento antes da votação final global do Orçamento do Estado (OE) para 2014.

A bloquista disse ser essencial uma «renovada e reforçada legitimidade interna e externa» para que «se resgate o Estado e a economia da tirania da dívida e do diretório europeu».

«Mais deste Governo será sempre menos país. Mais austeridade resultará sempre em menos soberania e liberdade. Fazemos uma escolha. Votamos com o país, votamos contra este orçamento», realçou a parlamentar.

O BE considera que o debate dos últimos dias no parlamento não foi o do OE para o próximo ano, antes o «do verdadeiro faz de conta em que se transformou a governação PSD/CDS-PP».

«Faz de conta que as contas batem certo. Faz de conta que, depois de falhadas todas as metas, a austeridade de 2014 vai funcionar onde falhou a de 2011, 2012 e 2013. Faz de conta que, cortando salários e pensões, o investimento vai florescer e o consumo disparar», considerou.

A coordenadora do Bloco voltou a enaltecer o papel da Constituição, que, considera, é o «entrave derradeiro a este ajuste de contas da direita com a História».

«É por isso que o Governo cavalga o discurso contra a Constituição e o Tribunal Constitucional. Porque sente que, sem o álibi da troika, tão cedo não terá outra oportunidade histórica para aplicar o seu programa: desregular o mercado de trabalho e fazer dos serviços públicos um entreposto para negócios privados financiados com os nossos impostos», sublinhou Catarina Martins.

Para a bloquista, o «falhanço» nas metas do memorando com a troika «não é incompetência ou má vontade», antes resultado de «uma política deliberada e consciente de reconfiguração do contrato social existente» no país.

«Apelar ao consenso, neste contexto, é o canto da sereia para enganar os tolos que se querem deixar enganar. (...) Não há consenso possível na destruição do Estado social», alertou ainda.