O vice-presidente da bancada do PS Pedro Marques afirmou hoje que o Orçamento para 2014 confirma o receio socialista de um «enorme novo pacote de medidas de austeridade», que inclui cortes salariais na administração pública.

«Esta audição confirmou os nossos receios da adoção de um enorme novo pacote de medidas de austeridade no Orçamento do Estado de 2014, [que inclui] medidas de cortes salariais na administração pública», afirmou Pedro Marques, que liderou a delegação do PS na audição com o Governo para apresentação do orçamento.

No Parlamento, à saída da reunião, que durou mais de meia hora, Pedro Marques afirmou que «o Governo confirmou as notícias reproduzidas desde ontem [segunda-feira], de grandes cortes e de uma alteração profunda da estratégia salarial, com cortes muito significativos e logo a partir dos 600 euros, nos salários da administração pública», assim como confirmou os cortes anunciados para as pensões.

O PS assume dúvidas quanto à constitucionalidade de algumas normas, mas quer esperar para ver o articulado, nomeadamente quanto às tabelas salariais da função pública, para assumir uma posição.

«O desvio do Orçamento do Estado de 2013, o desvio nas contas de 2013, significa mais medidas de austeridade para 2014. Os membros da delegação do Governo repetidamente falaram num efeito de carry over, tecnicamente é isto, como o défice de 2013 que passa para 2014 é mais elevado do que o Governo previa há mais medidas de austeridade», afirmou.

Segundo Pedro Marques essas medidas são superiores às que estavam previstas na carta de 3 de maio do primeiro-ministro à troika.

O PS considerou que o Orçamento oferece «uma ausência de reposta à questão do desemprego», sem «nenhuma pista sobre medidas, qualquer tipo de medidas de apoio social, de apoio à coesão social, para a minoração da situação dos centenas de milhares de desempregados do país».

«Infelizmente, os desempregados continuam a ser uma variável no ajustamento, nos cenários macroeconómicos do Governo», acusou.

«O que nos parece é que aquilo que se avizinha para 2014 não é bom, são mais efeitos recessivos de medidas muito superiores a 3 mil milhões de euros de austeridade novamente em 2014», disse.

Os socialistas sublinham que «o Governo insiste na receita, insiste na dose, não fala, aliás em qualquer alternativa».

«Nós consideramos que fazer consolidação orçamental neste ambiente recessivo não resulta como não resultou em 2012 e 2013», relata a Lusa.