Em jeito de desafio, no primeiro dia de jornadas parlamentares, em Coimbra, o líder parlamentar do PSD desafiou os partidos que apoiam o Governo PS a “chegarem-se à frente” e apresentarem a proposta de Orçamento do Estado para 2017. Se necessário antes do prazo limite de 15 de outubro.

Nada obriga a que se esgote o prazo, já que o PS, PCP e BE estão tão entusiasmados podem antecipar a apresentação do Orçamento, não há problema nenhum”, desafiou Luís Montenegro.

Na sua intervenção, Montenegro escusou-se, contudo, a revelar o que vai o PSD fazer em relação ao próximo Orçamento do Estado, tendo em conta que no ano passado não apresentou quaisquer propostas de alteração.

Não pode haver equívoco maior: o que o país precisa de saber é o que é que PS, BE e PCP vão fazer no OE (…) o que o país quer saber é se a proposta para 2017 vai ter a credibilidade que esta não teve”, justificou o líder parlamentar do PSD.

"Denúncia de erros e omissões"

Falando aos deputados, Luís Montenegro deixou ainda uma palavra específica ao Bloco e ao PCP: “a deputada Catarina Martins parece que se arrepende todos os dias de fazer parte desta solução, mas é um elemento chave; o deputado Jerónimo de Sousa também diz que não tem nada a ver com o Governo mas o OE é aprovado por ele e vai continuar a ser”.

Por essa razão, Montenegro classificou como uma “hipocrisia política enorme pedir nesta fase que o PSD diga quais são as suas propostas para o orçamento” por aqueles que todos os dias “desfazem de alto a baixo” a política económica do anterior executivo.

O que querem dizer com isto? Que vão fazer mea culpa? Que vão agora decidir tudo ao contrário? Então como se diz em bom português cheguem-se à frente, digam eles aquilo a que querem vir, digam ao país as principais medidas que vão estar inscritas no Orçamento e mostrem que elas são viáveis (…) O país não precisa da hipocrisia nem do jogo político das palavras”, afirmou.

À margem da discussão orçamental, o líder do PSD prometeu que o partido vai continuar firme “na denúncia dos erros e omissões”. Ou seja, vai apresentar propostas, mesmo sabendo que "muito dificilmente serão viabilizadas”.

Espanha sem governo cresce mais

Na mira do líder parlamentar do PSD, esteve também o que considerou “a forma muito atribulada” como começou a sessão legislativa, que termina esta semana.

Por outro lado, criticou o Governo por seguir uma política que “desrespeitou o enormíssimo esforço que os portugueses famílias e empresas fizeram nos últimos anos” e deixou um diagnóstico a partir dos indicadores económicos já conhecidos.

O governo das esquerdas falhou, falhou em toda a linha”, acusou, considerando que o crescimento económico está em metade do previsto.

A este propósito, Luís Montenegro lembrou a situação de Espanha, sem Governo há nove meses, e com uma economia mais dinâmica.

Mais vale ter um Governo que não tenha a plenitude de funções do que ter um que tenha a plenitude e estrague aquilo que está feito”, disse.