O PS considera que as previsões divulgadas pela OCDE confirmam que a contração do consumo em 2014 afetará inevitavelmente a economia, estando Governo e troika isolados na estimativa de um crescimento de 0,8 por cento.

«O PS encara com grande preocupação o relatório da OCDE, assim como a nota divulgada pelo banco Montepio Geral. A OCDE prevê uma contração da economia este ano e o PS sempre alertou para esse aspeto», sustentou o vice-presidente da bancada António Gameiro.

Segundo o socialista, tanto o Orçamento para 2013, como o Orçamento para 2014, geram «uma contração do consumo privado, porque se está a retirar capacidade económica às famílias».

Nessas circunstâncias, adiantou o deputado socialista, «as famílias terão de ter menos posses, consumirão menos, sentindo-se mais pobres e menos confiantes».

«Não percebemos como pode o Governo prever para o ano um crescimento de 0,8 por cento, quando sabemos que todas as projeções internacionais dão um máximo de 0,4 por cento. Só este Governo e a troika conseguem ver um crescimento de 0,8 por cento para o próximo ano», acrescentou o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.

«Esconder» os efeitos da austeridade

O BE defende que as previsões da OCDE desmentem o Governo e demonstram que o Orçamento do Estado é «irrealista», falhanços do executivo que atribuem a uma «tentativa deliberada» de «esconder» os efeitos da austeridade.

«A realidade tem sistematicamente desmentido o Governo e dado razão à OCDE nas suas previsões. Estes dados vêm confirmar aquele que aprece ser o empenho da ministra das Finanças, seguindo a tradição de Vítor Gaspar, de falhar todas as previsões macroeconómicas e todas as metas do défice», afirmou a deputada do BE Mariana Mortágua.

«Este é o terceiro Orçamento apresentado por este Governo e esta é a terceira vez que a OCDE vem a público contrariar o Ministério das Finanças, fazendo previsões mais pessimistas quer para o défice, quer para o crescimento económico», frisou.

«Achamos, no entanto, que a ministra das Finanças não o faz por pura incompetência, mas sim como uma tentativa deliberada e também desesperada de esconder os efeitos das suas próprias políticas de austeridade, que são devastadoras para o crescimento económico e, por isso, também devastadoras para as contas públicas», defendeu.

A deputada sublinhou que as previsões da OCDE demonstram que, «antes do Orçamento do Estado ser aprovado, as suas previsões já não são realistas».



O PCP também defende que as previsões da OCDE desmentem as do Governo, «para pior», e deixam «bem claro» que as política de austeridade não estão a resolver nem o problema do défice nem da dívida.

«Estes números deixam bem claro que estas políticas não estão a resolver o défice - que a OCDE diz que se fixará nos 4,6%, acima da meta que o Governo pretendia cumprir e que usa como pretexto para impor aos portugueses - e que nem a dívida sequer está contida», defendeu o deputado Miguel Tiago.

«Ao contrário do que o Governo dizia, que se previa um pico da dívida para 2014, a OCDE diz que, não só a dívida pública em 2014 será maior do que aquela que o Governo tinha previsto, como continuará a crescer em 2015», frisou o deputado comunista.

Miguel Tiago sublinhou a organização vem «desmentir as previsões do Governo, para pior», e alertar para a contração do consumo interno.