O PSD de Lisboa exigiu esta terça-feira a “imediata suspensão do plano de expansão do Metro”, afirmando que a construção de uma linha circular “merece fortes reservas de natureza técnica e operacional” e prejudica os utentes.

A construção da dita linha circular, merece fortes reservas de natureza técnica e operacional e prejudica quem se desloca na linha Amarela entre o centro e a coroa exterior da cidade, Lumiar e Santa Clara, mas também quem se desloca de e para fora de Lisboa, nomeadamente Odivelas”, defendeu o PSD de Lisboa num comunicado hoje divulgado.

Na nota, o PSD afirmou também que o projeto “pode, ainda, comprometer em definitivo a expansão da rede de Metro à zona ocidental da cidade, em especial a Campo de Ourique, Alcântara, Ajuda e Belém, bem como futuras interligações às redes de transportes que servem Oeiras e Cascais”.

Além disso, o PSD de Lisboa lembrou que o projeto de expansão do Metropolitano de Lisboa teve como base o previsto no Plano de Expansão da Rede do Metropolitano de Lisboa 2010-2020, aprovado em 2009 pelo Governo de José Sócrates, e frisou que “este plano não foi sujeito a consulta pública e não são conhecidos quaisquer documentos técnicos que o fundamentem”.

Acresce que não são conhecidos quaisquer estudos de análise custo-benefício que comparem esta opção e outras alternativas de expansão da rede na cidade de Lisboa”, lê-se no comunicado.

Recordando que decorre até quarta-feira a consulta pública sobre a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) relativa ao plano de expansão da linha do Metro de Lisboa, o PSD de Lisboa defendeu que, “quando o plano e o projeto de expansão não foram eles próprios sujeitos a consulta pública, realizar esta consulta pública trata-se de uma óbvia encenação para a opinião pública, que visa apenas e só legitimar uma decisão política, técnica e economicamente mal fundamentada”.

O PSD de Lisboa exige ao Governo a “imediata suspensão do plano de expansão do Metro de Lisboa”, a “apresentação de estudo técnico e económico que permita avaliar e comparar diferentes opções de expansão da rede” e “sujeitar a consulta pública o próprio plano de expansão”.

O projeto de prolongamento do Metropolitano de Lisboa, entre as estações do Rato (Linha Amarela) e do Cais do Sodré (Linha Verde), inclui novas ligações aos viadutos do Campo Grande.

O objetivo é obter uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela, passando as restantes linhas a funcionar como radiais - linha Amarela de Odivelas a Telheiras, linha Azul (Reboleira - Santa Apolónia) e linha Vermelha (S. Sebastião - Aeroporto).

Trabalhadores pedem chumbo do projeto

A Comissão de Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa defendeu que a linha circular, ligando o Rato e o Cais do Sodré, é uma "má solução" para a mobilidade na cidade e apela ao chumbo do projeto.

"Esta é uma má solução para a promoção da mobilidade da cidade da área metropolitana de Lisboa", refere a organização representativa dos trabalhadores do Metro, em comunicado, dizendo ter considerado "múltiplas opiniões de técnicos das mais diversas valências, que manifestam reservas e até forte oposição ao projeto, tendo em conta os custos envolvidos", e apreciações de muitos autarcas.

"Avaliando ainda os riscos para a segurança dos utentes, os graves impactos das obras e sobretudo, a ausência de estudos e medidas que identifiquem e resolvam os problemas que se irão verificar na operação para os trabalhadores e utentes", a Comissão de Trabalhadores do Metro apela a que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) chumbe o projeto.

Está a decorrer até quarta-feira a consulta pública à avaliação de impacte ambiental ao projeto de prolongamento do Metropolitano de Lisboa, entre as estações do Rato (Linha Amarela) e do Cais do Sodré (Linha Verde), incluindo as novas ligações aos viadutos do Campo Grande.

O objetivo é obter uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela, passando as restantes linhas a funcionar como radiais - linha Amarela de Odivelas a Telheiras, linha Azul (Reboleira - Santa Apolónia) e linha Vermelha (S. Sebastião - Aeroporto).

A posição dos trabalhadores baseou-se nas conclusões aprovadas por unanimidade num plenário realizado na semana passada e considera que o projeto "não corresponde às necessidades da empresa, da cidade, nem da Área Metropolitana de Lisboa", ao não contribuir para melhorar as acessibilidades das populações, não retirar carros da cidade e degradar o serviço ao concelho de Odivelas e à freguesia do Lumiar (estações de Telheiras, Quinta das Conchas, Lumiar, Ameixoeira e Senhor Roubado).

A Comissão de Trabalhadores refere estudos anteriores elaborados pelos técnicos da empresa e da sua participada FERCONSULT prevendo ligações que "efetivamente serviam os concelhos limítrofes e a população da zona ocidental da cidade e estabeleciam ligações determinantes para a operação, segurança e manutenção (ligação Telheiras-Pontinha) e ligações entre as linhas Verde e Amarela com a Azul".

"A complexidade da obra comporta impactos muito significativos na cidade e na rede atual, por um período de tempo bastante prolongado", alertam ainda os trabalhadores do Metro, apontando o exemplo do Campo Grande e do Cais do Sodré que "serão afetados, condicionados e até previsivelmente desativados, por um período muito longo".

Falam de elevados custos e de "obras muito complexas, em terrenos sobre os quais existem dúvidas" e lembram os "impactos financeiros avultadíssimos" suportados pelo Metro de Lisboa, nomeadamente na Baixa Chiado e extensão até Santa Apolónia.

Sobre o futuro, apontam dúvidas e exemplificam com "a operação da futura estação da Estrela, a uma profundidade equivalente a um prédio de 20 andares, [que] implica graves constrangimentos ao nível da segurança, ao nível da operação regular", mas também no caso de "eventual ocorrência grave com necessidade de evacuação em situação de emergência da própria estação ou dos troços adjacentes".

Faltam estudos comparativos, segundo os trabalhadores que salientam a experiência de Metros congéneres, para referir que "linhas circulares (muito raras) só se concebem em contexto de um grande diâmetro e para possibilitar a ligação de linhas radiais que ligam o centro das cidades a áreas periféricas".

Na segunda-feira, a Comissão de Utentes de Transportes de Lisboa divulgou uma posição semelhante àquela dos trabalhadores, considerando que o projeto é uma opção "errada e vai degradar" a oferta no norte da cidade, ao mesmo tempo que pedia à APA que chumbe esta proposta.