O líder do CDS-PP destacou o papel do antigo ministro Veiga Simão, que morreu este sábado, na defesa de uma transição suave do regime autoritário para o democrático em Portugal, evitando uma revolução, o que «não foi possível».

«Veiga Simão faz parte de uma geração que procurou que Portugal fizesse uma transição de um regime autoritário para um regime de liberdade, suavemente, serenamente, e ter-se-ia evitado um processo revolucionário. Infelizmente, não foi possível», disse Paulo Portas.

Segundo o também vice-primeiro-ministro, que falava aos jornalistas em Beja durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja, Veiga Simão «teria defendido» aquela transição, mas «a verdade é que ela não aconteceu e tivemos um processo revolucionário com todas as suas sequelas».

«É uma pessoa que respeito, independentemente da [sua] evolução ideológica posterior», disse Paulo Portas, destacando também as ideais que Veiga Simão tinha «sobre como transformar» a relação de Portugal com África e o regime político português.

Homem «muito importante» e «inovador» na educação

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, lamentou a morte de Veiga Simão, que recordou como um homem «muito importante» e «inovador» na educação.

«Foi um homem muito importante em Portugal no campo da educação. Ainda sob a ditadura conseguiu ser um ministro inovador. O seu papel na modernização do ensino superior em Portugal foi notável», disse Rui Machete à agência Lusa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou ainda a sua importância na criação das novas universidades portuguesas, considerando que depois do 25 de abril de 1974, «porque era um democrata», desempenhou «um papel muito importante no sentido de adaptar o sistema educativo às novas necessidades».

«E por isso com muito respeito que me curvo sobre a sua memória», disse Rui Machete, expressando condolências à família do último ministro da Educação do Estado Novo.

Rui Machete, que entre 1983 e 1985 foi colega de Governo de Veiga Simão num executivo que tinha Mário Soares como primeiro-ministro, recorda desses tempos a "jovialidade" e a «confiança no futuro» que emanava do então ministro da Indústria e Energia.

«Era um homem com jovialidade e confiança no futuro, entusiasmado com aquilo a que se dedicava e um bom colega de Governo», sublinhou.

Crato lamenta morte de Veiga Simão

O ministro da Educação, Nuno Crato, lamentou a morte de Veiga Simão salientando que a reforma do ensino por ele empreendida nos anos 1970 permitiu lançar as bases para a generalização e democratização do ensino.

«José Veiga Simão foi o último ministro da Educação durante o Estado Novo (1970-1974) e responsável por uma vasta reforma que permitiu lançar as bases para a generalização e democratização do ensino», afirma Nuno Crato num comunicado enviado à agência Lusa.

O texto destaca também o papel de Veiga Simão na criação de legislação que viria a permitir a «ampliação e diversificação da rede de estabelecimentos de Ensino Superior em Portugal».