O CDS-PP pede às entidades reguladoras e supervisoras para que “estejam atentas” à Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária lançada na sexta-feira pela China Three Gorges sobre o capital da EDP, mas não comenta a operação.

Há entidades que são reguladores e supervisoras e o que pedimos e esperamos é que estejam atentas e escrutinem todo o processo para que todo o processo decorra nos estritos termos da lei”, afirmou este sábadp o vice-presidente do partido Nuno Melo.

Questionado pelos jornalistas à margem do Conselho Nacional do CDS-PP, em Évora, o dirigente centrista notou que é “uma empresa que é privada e que tem existência nos mercados”, indicando que, por regra, o partido não comenta estes assuntos.

A questão não é de política, é de mercado. Se uma empresa está no mercado, as regras são as do mercado, não são as da política”, advertiu.

O vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo disse que “o mercado tem de funcionar” e que “a única coisa que o poder político pode exigir é que todos os poderes reguladores e de supervisão estejam atentos e evitem que alguma coisa se possa processar à margem da lei”.

“Estamos atentos em relação a tudo o que tem que ver, desde logo, com empresas que são fundamentais e estratégica para Portugal”, acrescentou.

A China Three Gorges lançou na sexta-feira uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82% face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A China Three Gorges, que já detém 23,27% do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

Caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso, a China Three Gorges avançará com uma oferta pública obrigatória sobre 100% do capital social da EDP Renováveis, a 7,33 euros por ação, um preço abaixo do valor da última cotação (7,85 euros).

O grupo chinês afirma, no anúncio preliminar da operação, que só lançará a OPA sobre a EDP se o Governo português não se opuser à operação.

O primeiro-ministro, António Costa, já disse que não tem “nenhuma reserva a opor” a que o grupo chinês realize a OPA sobre a EDP.

“O mercado decidirá. A China Three Gorges é há muitos anos acionista de referência da EDP e não temos nenhuma reserva a opor. As coisas têm corrido bem”, disse António Costa, que falava aos jornalistas aquando da votação nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS, na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).