O líder parlamentar do CDS-PP disse esta segunda-feira que o partido tem dúvidas sobre a solução encontrada pelo Governo para enfrentar o problema do Banif, interrogando-se sobre se esta seria a "única solução possível".

Em declarações aos jornalistas no parlamento, Nuno Magalhães declarou que o CDS-PP recebeu esta tarde a proposta de Orçamento Retificativo, apresentada por "este Governo e este primeiro-ministro", e vai agora analisar o documento "com detalhe".

"Desde já temos dúvidas legítimas e fundadas em primeiro lugar sobre se esta é a única solução possível", afiançou contudo o parlamentar, que pretende perceber, por exemplo, se os valores anunciados para serem injetados no banco são "adequados" quando se analisa a "dimensão do Banif" no sistema financeiro.


O CDS-PP quer também perceber se a "repartição entre custos previstos para o erário público e para o sistema financeiro" é a mais adequada.

Questionado sobre as críticas do Governo e partidos que o sustentam ao anterior executivo de PSD e CDS-PP, e um eventual conhecimento dos problemas no Banif mas a não reação atempada, Nuno Magalhães remeteu questões como essa para uma futura comissão parlamentar que merece à partida aprovação de todas as bancadas.

"É absolutamente natural que haja essa comissão de inquérito. Quanto mais se puder saber e o mais célere saber, melhor para os cidadãos", vincou o líder da bancada centrista.


A conferência de líderes parlamentares agendou hoje para quarta-feira de manhã a discussão e votação do Orçamento Retificativo na sequência da venda do Banif ao Santander Totta.

O plenário foi marcado para as 10:00 e a discussão na generalidade, especialidade e a votação final global da proposta de Orçamento Retificativo deverá decorrer durante a manhã, disse o porta-voz da conferência de líderes.

A proposta de Orçamento retificativo foi hoje entregue pelo Governo na Assembleia da República depois da aprovação em Conselho de Ministros.

O Governo e o Banco de Portugal decidiram a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal em comunicado no domingo.

A alienação foi tomada "no contexto de uma medida de resolução" pelas "imposições das instituições europeias e inviabilização da venda voluntária do Banif", segundo o comunicado.

A operação "envolve um apoio público estimado em 2.255 milhões de euros que visam cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões diretamente do Estado", disse o banco central, garantindo que esta solução "é a que melhor protege a estabilidade do sistema financeiro português".