O PSD disse, esta quarta-feira, que a saída do programa de ajustamento económico será feita «à portuguesa», com a oposição a dizer que o partido fala de um «país que não existe».

«Sairemos [do programa de ajustamento] como nós próprios somos, com honra e de cabeça erguida, com marcas de sofrimento, mas com o sentimento do dever cumprido. Sairemos apenas e só à portuguesa», afirmou o deputado social-democrata Nuno Encarnação numa declaração política no Parlamento.

O deputado destacou na sua declaração as metas orçamentais definidas para o futuro no tratado orçamental europeu, «ao qual o PS deu o seu acordo», e onde Portugal se compromete a reduzir a dívida pública a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) e colocar o défice estrutural do país nos 0,5% do mesmo indicador.

Na resposta a «desafios» como a reforma do Estado, o crescimento da economia e a criação de emprego «radica o sucesso ou insucesso» de Portugal para o futuro, declarou ainda Nuno Encarnação.

O social-democrata criticou também na declaração política de hoje as opções do último governo do PS, liderado por José Sócrates.

«O último governo do PS duplicou a dívida e, gerando a necessidade de resgate, criou condições para o seu contínuo crescimento até 2013. Obras a mais, estradas sem automóveis, escolas com ar condicionado sem haver dinheiro para o ligar, rendas excessivas, recurso ao crédito sem limite, défices de empresas públicas sem controlo, Estado maior num país menor», assinalou.

Ainda à direita, o deputado do CDS-PP Hélder Amaral sublinhou que apesar de todos os elementos económicos e sociais do país terem de ser analisados com «serenidade e ponderação», é importante fazer um «elogio ao esforço dos portugueses e empresas» na recuperação da economia.

O país está, agora, «em melhores condições de vencer os desafios» que tem pela frente, frisou ainda.

Na resposta ao PSD, a esquerda parlamentar acusou Nuno Encarnação de «falar de um país que não existe».

O PS, pelo deputado João Galamba, disse que este é um Governo «em choque frontal com a Constituição» e que os dados de dívida pública, desemprego de longa duração e investimento em diversas áreas negam as palavras do PSD.

«Não sei de que país está a falar, mas não é seguramente Portugal», disse o parlamentar socialista dirigindo-se ao deputado social-democrata.

Pelo PCP, o deputado Jorge Machado declarou que este Governo é responsável pela «destruição líquida de 121 mil postos de trabalho só em 2013», para além de promover uma recuperação económica «para inglês ver».

O Bloco de Esquerda (BE), pelo líder parlamentar Pedro Filipe Soares, diz que Nuno Encarnação fez uma «declaração de namoro» ao PS, mesmo com alguns «arrufos» pelo meio, e disse que de «cabeça erguida» é que Portugal não irá sair «de certeza» do programa de resgate.

«Onde está o fim do protetorado?», interrogou, referindo-se ao pacto orçamental europeu realçado pelo deputado do PSD.