O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, anunciou esta quarta-feira que Portugal vai «disponibilizar» a Moçambique professores portugueses que estejam interessados em trabalhar no país, numa iniciativa que se insere num programa bilateral de cooperação em formação educativa.

Ainda em desenvolvimento, o programa deverá ser apresentado publicamente em maio, quando o ministro da Educação de Moçambique, Augusto Jone, visitar Lisboa, na sequência de um convite hoje dirigido por Nuno Crato ao dirigente moçambicano.

Sem revelar o número de docentes portugueses que serão colocados à disposição do Governo moçambicano, Nuno Crato adiantou que a contratação dos professores será assegurada por Moçambique.

«Não estamos a falar de números concretos. Estamos a falar da disponibilização de professores portugueses que queiram vir para cá trabalhar, que são, certamente, bem-vindos em Moçambique», disse, em declarações à agência Lusa, o ministro da Educação e Ciência.

Questionado sobre se Portugal vai disponibilizar algum apoio financeiro a Moçambique para a contratação dos professores portugueses, atendendo à significativa diferença salarial na carreira profissional de docente que se verifica entre os dois países, Nuno Crato disse «não ter, no momento, programa nenhum concreto com números significativos».

Sobre o encontro dos ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza quinta-feira, em Maputo, Nuno Crato disse que Portugal vai colocar à disposição dos países interessados a sua experiência em todas as áreas da educação, com enfoque nas de «formação de docentes, elaboração de currículos, materiais escolares, metas curriculares» e formação técnico-profissional.

«Estamos interessados nas experiências de avaliação. Temos o Instituto de Avaliação Educativa, que tem uma grande experiência acumulada e está à disposição de outros países para colaborações», disse o ministro.

«Em Portugal, no ensino secundário, temos já cerca de 42 por cento [dos alunos] em ofertas profissionais, e, no básico, temos uma experiência piloto na criação de cursos vocacionais, que tem tido imenso sucesso», acrescentou Crato, referindo-se à disponibilidade portuguesa para a transmissão de conhecimentos na área da cooperação técnico-profissional.

O ministro português da Educação e Ciência está em Maputo desde terça-feira, dia em que participou no encontro dos ministros da Ciência e Tecnologia da CPLP.