O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou esta quarta-feira que a posição do Governo sobre a proposta dos politécnicos para alterar as regras de acesso a estas instituições, será dada a conhecer «em breve», mas em primeiro lugar aos politécnicos.

«A resposta será dada ao CCISP, em breve, e em primeiro ao CCISP [Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos]. Todas as propostas de alteração do sistema de acesso ao ensino superior têm de ser bem ponderadas, têm de ser ouvidas várias posições, os envolvidos»


,Nuno Crato falava no final de uma final de uma reunião com os representantes dos estudantes do ensino superior, que decorreu esta tarde no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa e na qual também participou o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes.

Repetindo afirmações anteriores sobre a proposta do CCISP - que pretende dar mais peso à nota final do ensino secundário do que à nota dos exames nacionais na média de entrada nas instituições – Crato frisou que o acesso ao ensino superior «é sempre feito através de exames», por ser a única forma de garantir «equidade no acesso».

Sobre as bolsas de ação social no ensino superior, um dos temas que estudantes levavam na agenda para a reunião, exigindo mais financiamento e mais bolsas para contrariar o abandono dos alunos com maiores dificuldades, o ministro declarou que «se há algo que tem funcionado bem são as bolsas de ação social do ensino superior», referindo os tempos de aprovação, o total de bolsas aprovadas e o aumento do valor médio destes apoios.

À saída da reunião, os alunos tinham versões diferentes sobre os compromissos assumidos nesta matéria pelos governantes, com o presidente da Associação Académica de Coimbra, Bruno Matias, a referir que do encontro não tinha resultado nada de concreto e que não tinha sido dada resposta às preocupações apresentadas pelas académicas na área dos apoios sociais aos estudantes, e com o representante dos alunos dos politécnicos, Daniel Monteiro, a referir que tinha sido feita a promessa de que haveria mais alunos abrangidos pelas bolsas no próximo ano letivo.

«O que prometemos é apenas isto: vamos pensar em todas as propostas de melhoria que nos foram apresentadas», disse Nuno Crato aos jornalistas, referindo que a comissão de revisão do regulamento de bolsas tem tido reuniões regulares na presença do secretário de Estado do Ensino Superior, tendo já conseguido “uma série de melhorias” e admitindo que o número de bolseiros possa vir a aumentar no próximo ano.

A comissão deverá apresentar um relatório ao Governo até 30 de abril.

Relativamente à proposta da Assembleia Municipal de Lisboa, para que o nome do Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva seja alterado, atribuindo-lhe o nome do antigo ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, que morreu na passada sexta-feira, Nuno Crato considerou-a «uma excelente proposta».

No voto de pesar aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa, da autoria do deputado municipal do Parque das Nações por Nós (PNPN), José Moreno (também presidente da Junta do Parque das Nações), recorda-se o «cientista e investigador português de referência» e refere-se que a sua memória «ficará para sempre associada ao Parque das Nações através do Pavilhão do Conhecimento e da criação do programa Ciência Viva, em 1996, que promoveu uma real democratização do acesso ao conhecimento científico».

Do voto de pesar faz também parte «a proposta de atribuição do nome de José Mariano Gago ao atual Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva, que deverá ser dirigida ao primeiro-ministro e ao ministro da Educação e Ciência».

«Não tenho ainda o pedido nem sei se o pedido me será dirigido, mas o que posso dizer é que é uma excelente proposta. Apoio», declarou hoje Nuno Crato.