O ministro da Educação, Nuno Crato, garantiu esta quinta-feira no parlamento que o ajustamento nas transferências para as instituições de ensino superior para acomodar a reposição dos cortes salariais será feito, referindo que não é uma necessidade urgente.

Num debate parlamentar, agendado a pedido do Partido Socialista (PS) para discutir as políticas de educação pública, o ministro da Educação respondeu a questões dos deputados da oposição que faziam eco de notícias recentes dando conta da necessidade de uma transferência de verbas para universidades e politécnicos para acomodar a reposição dos cortes salariais, decorrentes das decisões do Tribunal Constitucional.

Recordando que a situação não é nova e que já no ano anterior o ajustamento das tabelas salariais foi feito com a respetiva transferência de verbas a concretizar-se, Nuno Crato deixou a garantia de que o mesmo vai acontecer este ano.

«Estamos em março, estamos no princípio do ano. As dificuldades económicas que poderão existir para as instituições serão dificuldades que, se não for feito o pagamento, serão sentidas em outubro, novembro, dezembro. Estamos a muito tempo disso. Não temos ainda sequer todas as estimativas por parte das instituições de ensino superior sobre o ajustamento que é preciso ser feito. Mas esse ajustamento será feito. Não vale a pena estar segunda-feira a perguntar por domingo, terça-feira a perguntar por domingo. Domingo chegará», declarou.

O debate desta quinta-feira ficou marcado pela repetição das críticas que a oposição tem vindo a fazer às políticas do ministério de Nuno Crato, recuperando temas como o abandono escolar, a contratação de professores, a falta de funcionários nas escolas, o financiamento ao ensino superior, as bolsas de estudo ou a formação de adultos.

Heloísa Apolónia fez uma das críticas mais fortes à ação governativa de Nuno Crato.

«Já conheci muitos ministros da Educação, contestei muitas políticas, mas nenhum chegou ao ponto de enxovalhar os professores como o senhor ministro fez. O senhor ministro erra muito e cria poucas condições e pouca motivação nas escolas», declarou.

Na intervenção que encerrou o debate, Ana Catarina Mendes, do PS, acusou o ministro da Educação de «preconceitos e atitude ideológica conservadora» no que diz respeito à formação de adultos, reafirmando, como já havia feito o deputado socialista Acácio Pinto na abertura do debate, que o país precisa de um acordo estratégico para as qualificações «e de um Governo que volte a ter paixão pela Educação».