O ministro da Educação afirmou esta quarta-feira que Portugal «progrediu muito» na captação de fundos para a ciência e em 2012 e 2013 obteve quase tanto financiamento como nos quatro anos anteriores, empenho que continua no atual programa Horizonte 2020.

«Portugal tem estado, nos últimos anos, a progredir muito em termos de competitividade e de captação de fundos europeus e, nos últimos dois anos do quadro anterior, o FP7 conseguiu quase tanto como nos quatro anos anteriores», disse hoje à agência Lusa o ministro, falando à margem da conferência «Ciência e Inovação no Portugal 2020», que decorre no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.

Este comportamento, acrescentou, «significa que os nossos cientistas, os nossos centros de investigação, os nossos centros tecnológicos se dinamizaram e foram à luta, competir por esses fundos».

«O mesmo se está a passar, neste momento, no Horizonte 2020, e estamos a assistir a mais empenho por parte dos cientistas, das unidades de investigação, dos centros tecnológicos portugueses em concorrerem a estes fundos competitivos», salientou Nuno Crato.

Por isso, o ministro da Educação e Ciência disse ter «esperança em que as coisas evoluam bem, o que significa melhor ciência e tecnologia no país e também mais produto, mais inovação, mais riqueza».

Durante a conferência, a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, apresentou os primeiros dados acerca da participação no programa europeu para a ciência e inovação, o Horizonte 2020, e apontou a presença de 243 entidades portuguesas, 32 coordenações nacionais de projetos e 16 casos de projetos em cooperação com outros países.

Nesta fase, Portugal conseguiu mesmo uma taxa de sucesso superior à média da União Europeia, com 13,2% contra os 11,4 comunitários.

"Se a tendência continuar, vamos ter mais sucesso que no programa anterior. Esta é uma oportunidade que Portugal não pode perder", frisou Leonor Parreira.

No anterior programa, entre 2007 e 2013, que tinha 500 milhões de euros, em 2012 Portugal obteve 108,3 milhões de euros e em 2013 conseguiu 112,9 milhões.

Tanto a secretária de Estado como o ministro insistiram na necessidade de as empresas aumentarem o financiamento na investigação científica, tecnológica e de inovação, de modo a reforçar a competitividade.

Na Europa, Portugal é dos países em que a participação das empresas no investimento à inovação tecnológica é menos acentuada e esta é uma exigência dos novos programas da União Europeia já que dois terços do investimento devem ter origem no setor empresarial.

"Temos de fazer um trabalho continuado e temos dois instrumentos diretos para o fazer, [um deles] os incentivos fiscais à contratação de doutorados", explicou Nuno Crato.

Esta contratação "facilita e torna muito mais eficiente a inovação de base científica e a existência de um núcleo de doutorados nas empresas que possam contactar e falar a linguagem dos cientistas e por isso ajuda as empresas a desenvolver essa capacidade", explicou.

O segundo instrumento de incentivo refere-se a programas com as empresas, nos quais, segundo o ministro, os estudantes "têm tanto uma formação em ambiente empresarial como em ambiente científico e universitário o que permite este casamento entre a ciência, tecnologia, por um lado e o meio empresarial por outro".