O eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, antecipou, esta sexta-feira, que, se o Governo de coligação do PS com "populistas de esquerda radical" continuar a seguir o mesmo caminho, Portugal será "inevitavelmente" conduzido a um novo resgate.

"Aquilo que nós sabemos é que as coisas a continuarem como estão vão levar inevitavelmente a um outro resgate, é caminho que está a ser percorrido todos os dias", afirmou Paulo Rangel, numa ‘aula' na Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide.

Numa intervenção pessimista sobre o futuro de Portugal e com ataques duros ao primeiro-ministro, Paulo Rangel considerou que, mesmo que o futuro da União Europeia seja bom, o "episódio" do lançamento de "uma coligação com populistas de esquerda radical" por parte de António Costa" trará um futuro "amargo".

"Auguro que o nosso futuro próximo vai ser amargo e vai ser bem, bem difícil para todos", disse.

 Depois de falar longamente sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o eurodeputado Paulo Rangel partiu do exemplo de de David Cameron para António Costa, argumentando que para "salvar a sua pele", o ex-primeiro-ministro britânico optou por escolher uma solução - o referendo sobre a saída da União Europeia - que o "matou a ele" e colocou os britânicos numa posição "extremamente difícil".

"António Costa é o David Cameron português, porque também foi um político que renegou os seus princípios para salvar a sua pele", sublinhou, acusando o primeiro-ministro de "trair o seu partido" e colocar em risco o seu país para "salvar a sua pele política"

"António Costa, se obviamente não tivesse feito esta coligação com a esquerda radical e populista, o que teria feito? Teria desaparecido como líder. O que é que lhe teria acontecido? Teria desaparecido. A escolha dele era a espada ou a parede e ele preferiu a parede. E agora qual é o futuro de Portugal? Uma parede. O futuro de Portugal é uma parede", vincou.

Pois, continuou, neste momento o crescimento é "uma miséria", o investimento "caiu a pique", a exportações descem e o "célebre milagre económico António Costa, PCP e BE iam fazer, "desapareceu".

"Nós temos, mais uma vez, um político que só para salvar a sua pele é capaz de renegar os princípios do seu partido", referiu, ressalvando que "o PS não é o PS de António Costa".

"António Costa é a perversão do PS, porque fez uma aliança que é uma aliança com forças populistas que põem em risco o país", insistiu.

Paulo Rangel alertou ainda para o facto de Portugal estar "claramente em perda profunda de credibilidade" na Europa, considerando que o país está "completamente atrelado e colado à Grécia outra vez", com o segundo pior crescimento da Europa e as taxas de juro a irem para "limites impensáveis" há um ano.

"Foi feita uma operação de ligação ao PCP, que é um partido que defende a Coreia do Norte, que defende a Venezuela, foi feita uma ligação ao BE, mas um país pode ter credibilidade quando a política é chantageada, é ameaçada, é condicionada por estes dois partidos radicais de esquerda?", questionou Paulo Rangel.

E terminou com um aviso: "Eu não arrisco um milímetro quando digo: estamos em 2016 com António Costa a repetir a receita de 2009 com José Sócrates e pior do que isso: estamos a repeti-la nas mãos do PCP e do BE que vão destruir a economia. Vão ser os portugueses que vão pagar este preço e vão pagá-lo mais alto que do que alguma vez imaginaram".

"Se o PS não se governa si mesmo, como é que há de governar o país?"

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel colocou hoje em causa a capacidade do PS governar Portugal, questionando que se um partido "não se governa a si próprio" como conseguirá governar o país.

Partindo do problema da Segurança Social, Paulo Rangel reconheceu a necessidade de apoiar os desempregados, reformados e as pessoas com deficiência, mas lembrou que é preciso também ver como isso se vai pagar.

"Este Governo está a meter a cabeça na areia, António Costa está a fugir a este debate como o diabo da cruz e este é um debate essencial (…) que mais uma vez tem a ver com as contas, porque é importante, não há liberdade se não houver alguma autonomia económica", disse o eurodeputado social-democrata, que falava numa ‘aula' da Universidade de Verão do PSD.

E, desta afirmação, partiu para a ironia: "Até digo com alguma ironia, hoje vem uma notícia de que o PS está quase na falência como partido, pois se o PS não se governa si mesmo, como é que há de governar o país? Esta é que é a questão".

O Jornal de Notícias noticia, na sua edição de hoje, que o PS está "em falência", com "um passivo de 21 milhões de euros", tendo deixado de financiar atividades das suas comissões concelhias e sido obrigado a pedir aos líderes locais que assumam o pagamento de despesas, como a água ou a luz.

Entretanto, num comunicado da comissão permanente dos socialistas colocado na rede social Facebook, o PS já esclareceu que iniciou "um processo de amortização" da sua dívida, que está a ser "negociado com as instituições de crédito" e "permitirá uma redução sustentada do seu endividamento".