O Presidente da República falou ao país há quatro dias e ainda nada se sabe sobre a composição do novo Governo liderado por Pedro Passos Coelho. O PS defende que o país não pode perder tanto tempo. Já Paulo Portas, líder do CDS e parceiro da coligação Portugal à Frente diz que está tudo a decorrer nos timings políticos normais: os socialistas é que têm "fome de poder". 

Foi essa a reação à nota enviada à agência Lusa pelo presidente do PS, Carlos César, que se mostrou irritado com a "demora" na formação do novo Executivo e que o silêncio de Cavaco Silva também "não se compreende". 

"O Presidente da República indigitou Pedro Passos Coelho que eu saiba quinta-feira à noite da passada semana, estamos portanto no segundo dia útil", começou por dizer Paulo Portas, na reação, continuando:

"Essa afirmação denota de forma muito nítida ambição de poder, fome de poder, sede de poder."


À pergunta sobre se continua a acreditar no diálogo com o PS, Portas disse que continua a entender que "o bom senso deve prevalecer". 

Num encontro inserido numa ronda pelos parceiros sociais que PSD e CDS-PP iniciaram há mais de uma semana, Paulo Portas fez "o elogio da concertação social" e criticou que PS, BE e PCP estejam a negociar medidas, como um eventual aumento do salário mínimo nacional, à margem da concertação social.

"Nós não devemos substituir a concertação social - em que estão os representantes dos empregadores e dos trabalhadores - por mera ação partidária para obter títulos de jornais no dia seguinte."


Portas considerou ainda que, nas declarações "dos tais líderes da tal frente de esquerda", tudo o que vê "é frágil e pode pôr em causa evidentemente a confiança, o investimento e a criação de emprego".

Como o Presidente da República vai estar ausente do país durante dois dias, só na sexta deverá haver novidades sobre o elenco governativo. 

Depois de entregue a lista dos nomes, o passo seguinte é a marcação da tomada de posse do novo Governo. Não há prazo previsto e, recorde-se, noutros momentos da história outros governos demoraram semanas ou mesmo um mês a ser empossados.

À esquerda, tudo calmo. Não há reuniões desde quinta-feira e até agora não se sabe de mais nenhuma reunião agendada entre PS, PCP ou Bloco de Esquerda. 

Depois de tomar posse é que o Executivo tem dez dias para apresentar o programa no parlamento onde o esperam as anunciadas moções de rejeição anunciadas por esses três partidos.