Maria de Belém, já candidata oficial à Presidência da República, lembrou esta terça-feira, em entrevista à TVI, que Cavaco Silva ainda não ouviu todos os partidos políticos e deve fazê-lo. Com abertura. 

"Quando o Presidente da República chama os partidos não é para tomar chá ou café. Os partidos assumem compromissos, para que [ele] possa avaliar"


Entrevistada por Judite Sousa, a ex-presidente do PS frisou que Cavaco Silva não nomeou ainda o primeiro-ministro, "mas de certa forma deu um caderno de encargos" a Passos Coelho para formar governo.

"O Presidente da República não o indigitou, se não o indigitou foi precisamente porque resultados não deram maioria. (...) Acho que têm de ser chamados todos os partidos políticos, mas [o governo que vier a liderar poderá ser de] acordo com as maiorias e as soluções de estabilidade que consiga encontrar", frisou ainda. 

Certo é que tanto à tarde, quando apresentou a sua candidatura, como na TVI, Maria de Belém frisou que os compromissos internacionais são "importantíssimos". Ora, sabe-se que a orientação política do Bloco de Esquerda e do PCP não está propriamente em sintonia com isso.

Maria de Belém defende que, a existir um governo de esquerda, a esses compromissos não poderá fugir. "É evidente que não pode haver governação que não respeite os compromissos no plano europeu, que têm respaldo internacional e a NATO", defendeu, sublinhando que não sabe os detalhes das conversações que têm havido entre PS e as restantes forças de esquerda. 

Sobre a forma de atuação do Presidente, que deu a entender no seu discurso pós-eleições que PCP e BE estariam excluídos precisamente por causa desses pontos, Maria de Belém não quis opinar sobre o que o Presidente precisa de fazer, mas acaboupor dizer que, em seu entender, "e até infelizmente", Cavaco Silva "já não tem todos os poderes presidenciais" neste momento.


"Não sou a melhor pessoa para defender maiorias absolutas"


À pergunta de Judite Sousa sobre se acredita em governos minoritários, Maria de Belém lembrou que participou em dois, liderados por António Guterres, "um minoritário, outro empatado" e que não se deu "mal com isso".


"As maiorias absolutas é que tendem a perder aquilo que é absolutamenter essencial em democracia que é a concertação. Não sou a pessoa mais indicada para defender as maiorias absolutas. Desde que haja compromisso alargado... Não pode ser um exercício de poder arrogante, deve ser um exercício negociado", defendeu.
 

Na corrida pela vitória e pela segunda volta

 

As sondagens dão Maria de Belém muito longe de Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo. A da TVI dá-lhe apenas 17% de intenções de voto. Nada que deixe a candidata alarmada até porque, lembrou, começou a campanha "muito tarde". Só hoje apresentou a candidatura oficial.

"Se considerasse que diferenças nas sondagens não seriam algo que reverteria a meu favor, não me candidatava. Considero que tenho todas as hipotéses, todas as possiblidades, agora que entrei em campanha, que vou agregar apoios e votos e tenho enorme confiança nisso"


Mesmo sem o apoio explícito do PS, que não tem neste momento, nem o pediu.  "Acho que candidatura deve rtranscender apoios politico-partidários. Claro que são importantes", mas Belém considerou correta a opção do seu partido de não apoiar ninguém na primeira volta. Às críticas que recebeu por se ter candidatado depois de Sampaio da Nóvoa, responde assim:

"Independentemente de apoio , tenho o direito de me candidatar por um impulso de cidadania, até porque senão sentir-me-ia quartada nos meus direitos constitucionais, nos meus direitos fundamentais. Não me sinto nada diminuída. Tenho boa relação com eles [com a direção do partido e os ex-Presidentes que apoiaram Nóvoa]. Considero que na altura em que surgi já tinha tomado as opções"


Uma coisa é certa e di-lo diretamente: "Vou trabalhar muito para ganhar". Inclusive por uma segunda volta, se vier a acontecer. "Vou bater-me pela vitória e poderá passar por uma segunda volta nas presidenciais". Nessa altura, espera vir a ter o apoio do PS, PCP e BE. "Conhecem-me bem. PSD e CDS-PP também me conhecem bem. Na minha candidatura tenho pessoas das várias áreas politico partidárias". "Suprapartidária", classificou.

Só uma pessoa tê-la-ia demovido de avançar: António Guterres. "Disse desde o principio que seria o meu candidato".