A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, alertou este sábado para o «amadorismo atroz» e a «irresponsabilidade» da eventual saída da equipa de Vítor Bento do Novo Banco, defendendo que a instituição, que recebeu dinheiro público, deve ser controlada pelo Estado.

«Não deixa de espantar [a eventual saída da equipa de Vítor Bento], porque parece de um amadorismo atroz. Não se compreende a irresponsabilidade de quem pôs em causa mais de 4 mil milhões de euros do erário publico e não se tenha acertado sequer sobre a venda ou o timing da venda [do banco]», criticou a líder do BE, no Porto, à margem de uma conferência de imprensa sobre o Bairro do Aleixo.

Para Catarina Martins, «não saem bem da fotografia nem o Banco de Portugal, nem o Presidente da República, nem Vítor Bento, nem o Governo», que pretende «limpar» o banco com dinheiro público para o «vender a preço de saldo a privados».

«A história do BPN é precisamente essa. Limpou-se o banco com dinheiro público e depois vendeu-se a preço de saldo a privados. O que o Governo quer fazer [com o Novo Banco] é exatamente o mesmo. Isso não é aceitável», frisou, citada pela Lusa.

De acordo com a líder do BE, «se o Estado pagou, o Estado deve controlar».

«O Novo Banco deve ficar com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como um instrumento ao serviço da economia, do crédito às empresas, para criar emprego. Para que o dinheiro público que lá foi colocado não seja dinheiro para entregar a privados, mas seja um instrumento para o crescimento da economia e criação de emprego», sustentou.

Catarina Martins criticou que seja um «fundo de resgate composto por bancos concorrentes» a gerir o Novo Banco, que ficou com os ativos e passivos considerados não problemáticos do Banco Espírito Santo (BES), depois deste ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros.

«Esta é uma situação insustentável. Não podemos ter dinheiros concorrentes a gerir dinheiros públicos», defendeu.

Para o BE, o controlo do Novo Banco por parte do Estado é essencial para que o dinheiro gasto pelos contribuintes «com o sistema financeiro possa, por uma vez, estar ao serviço do país». «O que está a acontecer mostra, a cada dia, que a proposta do BE é a necessária», vincou.

Questionada sobre a referência feita ao «amadorismo» que diz que a eventual saída da equipa de Vítor Bento parece revelar, Catarina Martins explicou que esse é o motivo pelo qual a notícia é «surpreendente».

«Não podemos acreditar que quem desenhou uma solução para um problema tão grande como o do BES não tenha pensado no que estava a acontecer. Se não pensou, isso é de uma irresponsabilidade gritante», afirmou.