O ex-líder sul-africano Nelson Mandela teve um comportamento «único e ímpar» quando saiu da prisão, que permitiu virar «a página do apartheid», disse esta sexta-feira o vice-primeiro-ministro português.

Em declarações à agência Lusa em Lisboa, Paulo Portas começou por destacar «o perfil humano» daquele que viria a ser o primeiro Presidente negro da África do Sul, depois de ter tido «a grandeza do perdão».

A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma.

Paulo Portas assinalou que «só uma pessoa com enorme grandeza» teria sido capaz de, após 27 anos privado de liberdade, manter o «espírito de compromisso» e «tolerância», sem manifestar «nenhum sinal nem de ódio, nem de ressentimento, nem de vingança».

O ministro recordou que «muita gente dizia» que o fim do regime segregacionista do apartheid faria o país resvalar para «uma guerra civil» e impediria que chegasse à democracia.

«A verdade é que a contenção, o sentido de compromisso, a diplomacia, a inteligência, a sensibilidade de Nelson Mandela foram muito importantes para que a África do Sul fosse, depois do apartheid, uma grande nação africana, um grande país emergente», frisou.

Sobre o eventual risco de instabilidade política, na sequência da morte de Mandela, Paulo Portas sublinhou que o legado do ex-Presidente não é só «muito forte no passado», também «pesa muito sobre o futuro».

A África do Sul «só tem a ganhar» se «continuar a caminhar como uma nação que tem diversidade, mas que, no essencial, tem unidade», sustentou.

O país de Mandela, destacou, é hoje «uma economia emergente, com uma sólida presença em África» e «respeitada e respeitável no mundo», governada por um partido maioritário, mas com «oposição institucional alternativa». Em resumo, «a página do apartheid foi virada», disse.

O ex-ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - que nessa qualidade visitou a África do Sul em março de 2012 - assinalou ainda que «os muitos portugueses que vivem na África do Sul têm sido bem tratados pelos governos da África do Sul», onde estão «perfeitamente integrados na economia, na cultura, nas instituições sul-africanas».