O candidato à Câmara de Oeiras Isaltino Morais entregou, esta terça-feira, no Tribunal de Oeiras, as 31 mil assinaturas recolhidas para os órgãos autárquicos do concelho nas próximas eleições autárquicas. O mesmo fez, também esta terça-feira, o candidato independente à Câmara de Matosinhos Narciso Miranda que entregou no tribunal mais de 19 mil assinaturas, assumindo a candidatura às eleições autárquicas como "uma missão" de quem "pode não ter dinheiro, mas tem a confiança do povo".

Esta candidatura terá listas a todos os órgãos autárquicos em Matosinhos. Estabeleci o princípio de apresentar o número mínimo de assinaturas, somando-lhes 30%, o que corresponde a mais de 19.000, apenas para que não falhe nada e não entro no campeonato do número de assinaturas. Sou candidato porque, com sentido de humildade e responsabilidade, faço-o por missão. Por ter colocado Matosinhos na linha da frente ao nível metropolitano, no Norte e no país e considerar que posso continuar a contribuir", disse à agência Lusa, Narciso Miranda.

O candidato independente, que já foi presidente da Câmara de Matosinhos eleito pelo PS, e que em 2009 também já se candidatou como independente, mas perdeu as eleições para Guilherme Pinto, (autarca que morreu em janeiro), apontou estar a candidatar-se por sentir uma "obrigação política, ética e moral" de "oferecer" a sua "experiência e capacidade de trabalho" e não deixou de lançar críticas a outros candidatos.

Será uma disputa normal, resultante de uma situação excecionalíssima que se respira em Matosinhos. Respira-se uma grande crispação, uma profunda divisão no universo partidário. Continuo a não perceber, e Matosinhos também não, como é que cidadãos são candidatos há quatro anos como independentes com críticas duríssimas sobretudo ao seu partido de origem, governam as autarquias com maiorias absolutas com essa candidatura independente e agora são anexados por um partido", afirmou Narciso Miranda.

O candidato referia-se à candidatura de Luísa Salgueiro (PS) que integra independentes do Movimento "Guilherme Pinto por Matosinhos" que atualmente lidera a câmara, tendo-a ganhado em 2013 contra António Parada, que agora também é candidato independente com o apoio do CDS, mas nas anteriores autárquicas concorreu pelos socialistas.

"Isto não é um processo politicamente sério, mas estou convencido de que o povo de Matosinhos é um povo lúcido e atento e que sabe avaliar estas atitudes. Eu candidato-me para servir Matosinhos e os matosinhenses", apontou.

Narciso Miranda vincou que protagoniza "uma campanha de proximidade e de contactos diretos" e contou que lhe têm perguntado o porquê de ser o único candidato que ainda não tem ‘outdoors'.

"Respondo que, primeiro, não ganho as eleições com ‘outdoors', ganho com o povo, e, segundo, não tenho dinheiro. Quem vai a um jantar meu paga, quem vai a um almoço paga. Não ponho em causa a origem do dinheiro dos outros, mas eu não tenho. Mas quero é ter o povo comigo e sinto que tenho o povo", disse.

Além dos candidatos citados, concorrem a Matosinhos, distrito do Porto, Jorge Magalhães (PSD), José Pedro Rodrigues (CDU), Ferreira dos Santos (Bloco de Esquerda) e Filipe Cayolla (PAN).

Isaltino e a recolha "muito entusiasmante" de 31 mil assinaturas

Numa equipa construída "com base no voluntariado", o candidato à Câmara de Oeiras Isaltino Morais disse à Lusa que o processo de recolha de assinaturas, "habitualmente difícil", acabou por ser "muito entusiasmante".

As pessoas deslocavam-se por elas próprias, vinham ter connosco a pedir para assinar. A adesão do povo de Oeiras a esta candidatura é surpreendente", contou o candidato do movimento Isaltino - Inovar Oeiras de Volta.

Com um total de 31 mil assinaturas (10.600 para a Câmara Municipal, 10.400 para a Assembleia Municipal e as restantes para as freguesias), Isaltino Morais considerou este como "o primeiro sinal de que se trata de uma candidatura vencedora".

Foi para isso que me candidatei (para ganhar), mas claro que o povo é que escolhe e temos de ter humildade porque no dia 1 de outubro é que tudo se decide", acrescentou.

O antigo presidente da Câmara de Oeiras adiantou ainda que a sua equipa é composto "por caras novas", com exceção de duas candidatas às freguesias.

"Entendi que devia dar oportunidade a gente nova. Propus a mim próprio renovar a classe política de Oeiras", sustentou.

O ex-autarca, eleito pela primeira vez em 1985 pelo PSD e que depois se tornou independente, abandonou o executivo quando foi detido, a 24 de abril de 2013, para cumprir dois anos de pena de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Um ano depois, a 24 de junho de 2014, saiu em liberdade condicional para cumprir o resto da pena em casa.

Para as eleições de 1 de outubro em Oeiras foram já anunciados como candidatos, além de Isaltino Morais, Paulo Vistas (IOMAF), Heloísa Apolónia (CDU), Pedro Perestrello (PNR), Ângelo Pereira (PSD,CDS-PP), Joaquim Raposo (PS), Pedro Torres (PAN) e Miguel Pinto (BE).