O CDS-PP foi pela primeira vez convidado e estará presente no Congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que começa na quarta-feira, em Luanda, onde estarão igualmente delegações do PS, PSD e PCP.

O ex-vice-primeiro-ministro e ex-presidente do CDS Paulo Portas estará presente, conforme noticia o Diário de Notícias esta terça-feira, em resposta a um convite feito a título pessoal, sendo os centristas representados institucionalmente pelo presidente do Congresso e responsável pelas relações internacionais, Luís Queiró, disse à Lusa fonte oficial do partido.

Enquanto vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros no Governo liderado por Pedro Passos Coelho, Paulo Portas visitou várias vezes Angola. No discurso de despedida da liderança do CDS, em março, Portas apelou aos órgãos de soberania para evitarem "a tendência para a judicialização da relação entre Portugal e Angola".

Entre os partidos com representação parlamentar em Portugal, as exceções na comparência ao Congresso do MPLA são o BE, PEV e PAN. O BE tem sido crítico do regime angolano, e de acordo com fonte oficial bloquista, não tem relações institucionais com aquele partido angolano.

O dirigente do partido ecologista "Os Verdes" Vítor Cavaco disse à agência Lusa que o partido não foi convidado, e também o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) não recebeu "nenhum contacto formal" para comparecer na reunião magna do MPLA, de acordo com a assessoria de imprensa do seu grupo parlamentar.

A delegação do PS é composta pela secretária-geral-adjunta, Ana Catarina Mendes, e pelo presidente do partido, Carlos César, enquanto o PSD far-se-á representar pelos vice-presidentes Marco António Costa e Teresa Leal Coelho, e o PCP estará representado pelo membro da comissão política Rui Fernandes.

O MPLA informou que o congresso que realiza a partir de quarta-feira vai dar atenção ao "momento que o país está a viver", numa alusão às dificuldades da quebra nas receitas petrolíferas.

De acordo com informação enviada à Lusa, o VII congresso ordinário do partido no poder em Angola desde 1975 vai decorrer no centro de conferências de Belas, arredores de Luanda, até 20 de agosto, envolvendo 2.620 delegados.

Além da eleição do presidente do partido - cujo único candidato é o atual líder, José Eduardo dos Santos - e da confirmação da nova composição do Comité Central, este congresso "dedicará uma atenção muito particular ao momento que o país está a viver, sem perder de vista que o seu principal objetivo, neste conclave, estará concentrado nos desafios que se colocam aos angolanos e ao Partido, nos próximos tempos", refere a informação.

Nesta matéria, será dado "particular ênfase ao Plano Nacional de Desenvolvimento de médio prazo", desenvolvido pelo MPLA para o período 2013/2017, e ao nível do longo prazo ao "Angola 2025".

Angola vive uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da quebra para metade nas receitas da exportação de petróleo e tem em curso uma revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) que aposta no aumento da dívida para garantir o crescimento, através do investimento público, para compensa a quebra no setor petrolífero.