A Câmara do Porto decretou para hoje e terça-feira dois dias de luto municipal pela morte de Vasco Graça Moura, «um dos grandes vultos da literatura portuguesa», natural da cidade.

«Vasco Graça Moura era um dos grandes vultos da literatura portuguesa. A Câmara do Porto, por decisão do seu presidente, decretará dois dias de luto municipal pela sua morte, que se cumprirão segunda e terça-feira», lê-se no site do município.

Escritor e tradutor, Vasco Graça Moura morreu ao fim da manhã de domingo em Lisboa, aos 72 anos.

«Natural do Porto (Foz do Douro), foi distinguido com os prémios de Poesia do P.E.N. Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores e a Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga», destaca a Câmara do Porto.

A autarquia sublinha ainda que Graça Moura «recebeu igualmente a Ordem de Santiago da Espada, o Prémio Pessoa, o Prémio Vergílio Ferreira e o Prémio de Tradução 2007 do Ministério da Cultura de Itália, que distingue anualmente o melhor tradutor estrangeiro de obras italianas, por decisão unânime do júri».

«Colaborou na revista Quadrante (revista da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa) iniciada em 1958», acrescenta o município portuense.

A Câmara do Porto observa ainda que Graça Moura se licenciou em Direito, pela Universidade de Lisboa, foi advogado e, «após o 25 de Abril de 1974, aderiu ao Partido Social Democrata, sendo chamado a exercer os cargos de Secretário de Estado da Segurança Social (IV Governo Provisório) e dos Retornados (VI Governo Provisório)».

«Na década de 1980 enveredou definitivamente pela carreira literária, que o havia de confirmar como um nome central da literatura portuguesa da segunda metade século XX», salienta o município.

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Graça Moura estreou-se nas letras com «Modo mudando», em 1962. Publicou, entre outros, «A sombra das figuras» (1985), «A furiosa paixão pelo tangível» (1987), «Testamento de VGM» (2001) e «Os nossos tristes assuntos» (2006). Reuniu a «Poesia toda», em dois volumes num total de mais de mil páginas, em 2012.

Recebeu o Prémio Pessoa e o Prémio Vergílio Ferreira, os prémios de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela, entre outras distinções.

Foi diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, diretor da Fundação Casa de Mateus, presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Em janeiro de 2012, substituiu António Mega Ferreira na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém.

Era uma das vozes mais críticas do acordo ortográfico.